Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 29 de janeiro de 2011

Entre tapas e cadeira de rodas

 

 

Juro que não ia escrever nada além daquilo que acharia necessário nesse momento, mas depois de alguns acontecimentos que vi, não há ser humano que tenha 5% de uso do seu cerebro, que não pense e não analise tais fatos. Quem lê meus textos sabe – gostem ou não, pouco me importa – que não gosto de fazer “média” com ninguém e com nada, se fez algo pelas pessoas deficientes, acredito que estava dentro do que chamamos, uma obrigação cidadã. Você leitor, “acha” que estou agradecido ao Paulo Maluf por implantar o ATENDE na cidade de São Paulo? Claro que não! Pelo motivo mais obvio do mundo, até minhas fraldas pagaram seu salário militar e minha bolachinha hiefer de cada dia, paga o salário dele na versão democratica (que aliás, para mim, diferença num tem nenhuma). Ou seja, ele trabalha para cuidar algo que é pago com impostos que pago, não me isentam de pagar impostos pela bolacha, pelo taxi, pela cadeira de rodas que eu uso. Mas juro amigos, vou tentar desenvolver o raciocinio bem fácil para todo mundo entender meu ponto (quase desenharei).

 

Lendo algumas coisas me deparei na noticia que um advogado cadeirante, lá de São José dos Campos, quis parar em frente de um cartório por causa, talvez, de sua profissão de advogado e não tinha vaga para deficientes. Tudo beleza, só que tinha um carro dentro dessa vaga que não poderia de modo nenhum ter parado ali, só que o cadeirante não sabia; quando viu que alguém entrava no carro, tentou argumentar, mas o delegado não quis e bateu no cadeirante. Os detalhes não se sabe, mas mesmo que o cadeirante tenha provocado, isso não dava o direito de agredir e dar uma coronhada no cadeirante. Até ai, tudo bem. A noticia teve um certo destaque nos jornais locais do Brasil, porque é um tanto covarde da parte do delegado, mas a midia senso comum exagerou. A apresentadora Sonia Abraão (aquela que a uns vinte anos, era apenas jurada do Silvio Santos), levou o cadeirante até o programa dela pois sei lá que carga d’agua, mas não deu tanta importancia, cortou ele quando estava explicando como proceder porque tinha algo muito mais importante para apresentar, a troca de sexo de uma lésbica ex-bbb (quem participou do Big Brother Brasil, ganha um destaque todo especial).

 

Concordo com que escreveu Luis Felipe Pondé (que é filósofo e escreve na Folha de São Paulo, além de ser professor e tudo mais), que não acredita em “vitimas” e melhoro isso, dizendo que não existe mesmo vitimas, as pessoas que se fazem. Me diz se para minha vida vai trazer algo importante eu saber que mais uma ex-bbb, quer virar homem, e que apanhou do irmão por causa disso? Alguém já parou para analisar que isso não foi feito no caso do cadeirante, que a apresentadora em questão, não chamou o delegado no ar para tirar satisfação? Daí vou muito mais afundo na questão, pois não sou demagogo e nem vou fazer “média” com ninguém, porque sou cadeirante e sei o que passamos e as humilhações que temos que aguentar. E daí que se apanhou do irmão por que beijava homem? Para mim cada um que faça da sua boca ou outrs partes o que quiser, mas daí priorisar uma parte dos “excluidos” para dar showzinho visando audiência, é para ser intitulado como preconceito. Mesmo o porque, o cadeirante apanhou para garantir um direito não só pra ele, mas para todos nós.

 

As vezes fico pensando se é para isso que queriam para voltar a democracia, para promover a bagunça e não fazer para a grande maioria, leis de verdade que garantam uma vida digna para todos nós. Mas promovem a baderna institucionada e os movimentos, que se dizem fraternos, batem palmas com grande estusiasmo. Por que o cadeirante é menos que uma homessexual que quer mudar de sexo? Por que isso vai trazer mais grana para as TVs que promovem a alienação? Fui no Central Plaza aqui em São Paulo e achei o shopping um “lixo” para cadeirantes, porque a praça de alimentação é muito longe e os elevadores não estão funcionando, é um “lixo” de shopping, além do piso ser inadequado. Isso não é um caso que a grande midia poderia mostrar e por que não mostra? Que os funcionarios ds lojas Casas Bahia ficam discriminando nós, só porque “acham” que não vamos comprar, ou que não vamos gastar em suas lojas. Onde fica as leis nisso? Duvido se uma grande empresa, por não respeitar a Lei de Cotas, será multada porque não contrata cadeirante e ainda. Ainda querem violentar minha inteligencia, dizendo que falta mão de obra qualificada, que não conseguem preencher as vagas disponiveis. Ora, mandei meu curriculo para um monte de empresas que dizem – os sem vergonhas, dizem está urgentemente precisando – nenhuma me chamou e nem as agencias de publicidade que sei, não respeitam as lei de cotas. Onde está essa lei? E tem mais…a uns dois anos, fui expulso da universidade UNIP por causa que não tinha dinheiro para pagar a mensalidade, até então, paga pelo meu pai. O meu antigo movimento – uma cópia fiel do Partido do Governo- não fez nada, esperando que eu dissesse que deveriam fazer. É esses movimentos que cuidam de nossos direitos? Ainda me humilharam dizendo que era assunto pessoal e nada podiam fazer com asuntos pessoais. Onde é um assunto pessoal?

 

Fora que tenho que gastar com taxi adaptado (que é muito caro), numa coisa que o serviço de vans municipal ATENDE poderia fazer e só faz para os movimentos, porque a lei obriga. Não podemos ir a uma consulta médica, não podemos passear, não podemos ir a casa de alguém, enfim, se queremos se divertir, temos que gastar nosso beneficio. Sim. Porque a lei de cotas não funciona, e quando vão abrir concurso ou mandar um curriculo, devo ter o meu CID ou o laudo médico. Então devo despor de meu beneficio, porque sair dele vai ser dificil. Como é dificil entender algumas atitudes, entender que ao mesmo tempo que a sociedade quer que vivemos e merecemos viver, nos esquece em um cantinho para não “atrapalhar”. Aliás, foi umas das falas do segurança do Shopping Central Plaza, vamos ir no cantinho, senão vai atrapalhar o povo a andar. Realmente, povo demagogo, o mesmo que é socialista com um copo de wiski na piscina, somos massacrados psicologicamente.

 

Ai tenho que rir daqueles exaltados que me dizem que não vivi o tempo do regime militar ou outros que escrevem que os norte-americanos e os aliados nos libertaram da opressão e hoje, mais ou menos, temos liberdade de sermos o que queremos. Fico vendo as crinças que veêm o amiguinho diferente na escola e tira uma desse amiguinho porque ensinaram assim da televisão, ou até mesmo em casa, a própria professora discrimina por causa do seu baixo sálario. Não vamos ser tão hopócrita, tive professor de supletivo de ensino médio que tinha um carro que nem meu pai tinha e olha que o “velho” trabalhou pra caramba para sustentar não só eu e meus irmãos, mas aquilo em Brasilia, e outra, paga IPVA para as estradas serem um “queijo suiço” e ainda temos pedagio, e IPTU que a prefeitura reverte nas vans que deveriam fazer um serviço que a principio, tenho que reverter em taxi porque não se faz esse tipo de serviço. Viu como nossa vida não é um mar de rosas?

 

Entre tapas e cadeiras de rodas, ficamos com a demgogia de uns e a hipocrisia de outros, eu e a Marley não desistimos e ficaremos bem, ficaremos com a luta, os amigos que acreditam em paz e bagunça, cresçam antes que sejam tarde demais.

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