Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 17 de janeiro de 2011

Sou deficiente, e daí?

Um garotinho lendo revista na privadona do papai

Não sinto a menor vontade com o tema “deficiência”, porque deve está tudo bem diante da inclusão, o pessoal estão tudo indo na piscina, jogando esporte, fazendo pirueta, que penso está tudo bem. Algo me incomodou, algo que vi diante de meus olhos e que vi durante boa parte de 2010. Onibus adaptados velhos e acabados e a pouca opção para transporte, como taxi acessivel (que o numero é muito pouco e tudo fica na zonas sul e norte de São Paulo), o serviços de vans publica de São Paulo (conhecido ATENDE), não leva o deficiente em casos eventuais e também a falta de educação do brasileiro em todos os apectos, principalmento do defciente que deveria de deixar o senso comum de lado e fazer seu próprio pensamente, mas enfim.

 

Quebrei meu periodo de férias por causa que essas coisas me incomodam, porque como uns dos coordenadores da Irmandade da Pessoa Deficiente, não me “desce” algumas atitudes. Ultimamente estou estudando a Cabalá um livro de mais de milenios atribuido a Abraão (quem não conhece Abraão, vai no Google), onde há um estudo do propósito de tudo e o porque de tudo, onde poderemos ter uma idéia sobre o porque de nossa deficiencia. Mas se eu for dizer tudo que penso, o pessoal vai achar que estou viajando na maionese, que esse não é o tema e fica enchendo o saco como se eu tivesse obrigação de ensinar como eles devem sentar em seus pinicos. Cada um deve adaptar seu sentar no pinico, porque se eu disser que sento no pinico de ladinho, o outro pode não consegui de ladinho, pode de outra maneira, minha experiencia ao sentar no pinico me faz um pouco mais independente. Pinicos a parte é esse sentar que descobrimos que podemos sentar sozinhos no nosso pinico, se podemos sentar em nosso pinico, tem um propósito de sentar no pinico (tá bom, dor de barriga pode ser forte, sua anta! Mas tenta se aprofundar no tema e vai descobrir que vai muito além do que a dor de barriga). O que você sentiu quando pode sentar em seu pinico sozinho? O que você sentiu quando fez um lanche sozinho com suas próprias mãos? Entendeu o próprosito?

 

Quando superamos a barreiras entre nós e nossos repectivos pinicos, nós sabemos que tem um mundo lá fora que podemos também superar. Por que temos que superar o mundo lá fora se está confortavel meu mundinho entre eu e minha mãe? Será que a mãe vai durar pra sempre, ó escolhido? Só pode ser, porque pensar que a mãe vai durar pra sempre, só pode ser escolhido do Criador. Você achar que não pode lutar para superar entre a casa e seu computdor, para sair e desbravar o mundo lá fora, lutar por aquilo que mais deseja e não mandar se fude quem diz que deficiente não pode, desculpe, mas é covarde sem vergonha. Sem vergonha de depender da mãe até pra sentar no pinico e não tentar sentar, não superar o mundo lá fora e achar que os outros tem a plena obrigação de ensinar arte de sentar no pinico. Só que a arte de sentar no pinico é para poucos que desbravam entre ele e a cadeira de rodas, ou o que for, mas que sai do seu mundo entre ele e a cadeira de rodas e vê que ele pode mais. Daí vamos descobrir que o mundo não foi feito para nós os “imperfeitos”, não podemos ousar querer ir em um barzinho tomar um refrigerante com a namorada (aliás, namorada nem pensar), ou ir num restaurante num jantar comemorar um ano de qualquer coisa, porque o mundo brasileiro é o mesmo mundo português medieval, sem um degrau não se sossega a bundinha. Eu não entendo essa obssessão do brasileiro de querer fazer degrau! Será um feitiche? Será que é igual burro com cabresto, quando ensina um caminho só é aquele? Já foi provado que rampas e vias acessiveis, faz muito bem a coluna vertebral e diminui o artrito entre o andar e as juntas. Mas o feitiche continua.

 

O desgraçado além de ter esse feitiche de ferrar a coluna vertebal alheia, ainda gosta de ficar mais pobre cada vez que faz uma escadinha (parece musica de axé). Mas lógico que o brasileiro adora gastar dinheiro, gasta com o carro novo, gasta com fogos no final do ano, gasta com o futebol e mais surpreendente feitiche que esse povo tem, tomar um “chá” de espera na estrada para ir a praia. Que delicia ficar cinco horas na estrada preso no garrafamento porque sem uma praia não se vive, sem isso a vida fica um pouquinho menos importante. E o futebol? Tem cara que sai de casa, e vai em jogo do seu time como aquilo fosse de uma importancia para sua vida sem igual. Não que não se deva se divertir, em algumas ocasiões assisti jogos de futebol, nada tenho contra o futebol ou a praia ou o cara fazer uma escada, mas essas coisas são prejudiciais quando atingem os outros. A Marley adora futebol, e prometi um dia levar ela para ver o São Paulo futebol clube (time dela de coração) jogar, mas ter isso como um arroz e feijão e sem isso não se vive, chega as raias a insanidade mental. Isso podemos observar na obssessão por degraus, por escadas, além de demorar mais para se fazer, ainda é mais caro e mais trabalho pra se fazer. Uma rampa é mais rápido e mais barato, simples!

 

Meu irmão indo para New York constatou que lá é tudo plano, os onibus passam de cinco e cinco minutos e já vem com o elevador e um lugarzinho para a cadeira ficar. Ah! Lembrei do onibus adaptado, os mesmos que vejo da minha janela ou sendo rebocados, porque estão caindo aos pedaços, ou estão tão velhos, que inclinam para o lado dando impressão que vão tombar. Dá um medo andar neles, porque nem quem opera o elevador sabe operar o elevador e quando o elevador funciona. Mas o que estou dizendo? Existe movimentos indo em piscinas, indo em reuniões das reuniões para fazerem reuniões, e nada vejo fazerem além de me encher o saco como se eu tivesse obrigação de ensinar as suas lideranças as leia que deveriam saber, além de usar inernet para fuçar o orkut alheio ou somente, ou tão somente, ouvir musica. Entendeu por que os onibus estão velhos e as pessoas ainda estão com o feitiche do degrau? Além de não aprenderem que não é a quantidade que fazem a diferença, mas a qualidade da coisa e como se ensina como o deficiente senta no pinico. Não deixar o deficiente falar o que quiser ou fazer o que quiser, pois ele deve está muitas vezes, percebendo s coisas erradamente estando no senso comum; não se pode querer mudar uma sociedade se estamos atrelados a maneira preconceituosa que ela enxerga, como se tivessemos a plena obrigação de fazer “média” com todo mundo. Não penso como todo mundo, a Marley não pensa como todo mundo, e o mais surpreendente, somos felizes como somos e mandamos se fude que pensa igual todo mundo.

 

Por falar nisso, outro dia estavamos conversando da maneira dos outros deficientes se portarem diante dos colegas, por causa da desgraça do pensamento machista. Desgraça, porque por mais que tentamos mudar as regras dessa desgraçada sociedade, o povo insiste (sim o deficiente tem esse tipo de pensamento que o exclui da sociedade) em achar que mulher foi feita para olhar suas partes femininas e não ouvi suas idéias. Mas algo em meu intimo que é o motivo de eu tanto ler a porcaria do existencialismo: o que leva um homem a olhar uma mulher como se tivesse olhando um bife acebolado? Sim! Tem uma moderninhas que adoram ser bife acebolado, que ao meu ver, são meninas frustradas que queriam um rapaz para viverem algo mais significativo, mas a desgraçada pensa que a vida é uma festa e que nunca deve crescer, um dia terá que crescer e sentar no seu próprio pinico. Graças a essas beldades que pensa que a vida é um grande baile funk, as que não gostam tem aguentar os barbudos lobos maus. Sim amiguinhos, isso também acontece no mundo colorido dos deficientes, existem os que pensam que liberdade é fazer bagunça onde não se deve. Daí a pergunta pertinente: quando essas desgraças vão crescer? É muito bom viver na bagunça, é muito bom ir nas festas, não pensar em nada, e deixar o aprendizado da arte de sentar no pinico para depois, mas se acontecer algo com quem nos ajuda a sentar no pinico, como iremos fazer? Não vamos ter que crescer? O propósito de tudo isso é crescermos, despertamos desse sono que nos puseram e ver que temos que sentar no pinico e não temos obrigação nenhuma de sentar como todo mundo, podemos fazer isso. Mas para crescemos temos que primeiramente ter respeito conosco, não tolerar certas coisas porque não se deve ficar sozinho, mas se deve ficar com quem nos trás algo de bom. Lembra que disse que a qualidade é muito melhor que a quantidade? Podemos também fazer isso nas amizades, eu e a Marley fazemos, pois é assim que se cresce verdadeiramente.

 

Depois temos que respeitar o outro como gostaria que fizesse conosco. Não se pode querer respeito sem primeiro, respeitar o outro. O que vejo nas reuniões que vou é que o deficiente não tem respeito por seu colega, não tem o menor pudor de fazer as coisas na sua cara e ainda, acham eles, que você tem que tolerar. Pára, né?! Quer dizer que o cara pega, olha para sua noiva como se fosse um bife acebolado e reparando que isso está incomodando tanto ela como eu, não posso dizer nada? Onde está isso no estatuto das pessoas com alguma deficiencia? Só se for no estatuto na zona onde vive, mas enfim, como um bom cristão deveria ter uma certa tolerancia a pessoas com o QI mais ou menos como micos no cio. Tá bom, o Embama pode me processar por ter xingado os micos que nada tem com nossa cultura de “baixinhos da Xuxa”. Cresci com a Xuxa e tenho um certo respeito, é como a primeira professora, lembramos com carinho. É patife demais para pôr a Xuxa ou comparar com criança, tenho que admitir que foi uma comparação infeliz, mas enfim, ninguém é perfeito. Continuando: não aguento tanta patifaria nessas reuniões e não resolvem nada, porque acham que quantidade é muito melhor do que qualidade. Uma Pena! Mas o que esperar disso tudo que disse?

 

Ter um propósito ou amadurecer, não é reparar nas “gatas” ou nos “gatos” por ai, é muito mais do que isso, é pesquisar dentro de si mesmo. O respeito por si ou pelo outro tem que começar pelo exame de si mesmo e fazer com o outro o que não quer que faça para si mesmo, é regra numa sociedade que tem como meta, formar cidadãos. Essa é a diferença em ser livre e ser escravo, aliás por falar nisso, gosto muito de uma frase do escritor e ocultista Alester Crowley que diz assim, que os escravos servirão. Você pensa que está liberto de tudo isso trepando como uma femea, ou fumando cannabis até seus pulmóes respirarem mais isso do que oxigênio, ou de repente, ler Nietzsche e sair por ai como um “porra louca” fazendo qualquer tipo de “merda”. Sabe qual a coisa mais inutil que fazemos na vida toda? É tentarmos ser o que não somos, mentir para si mesmo e não consegui segurar nossa frustração de sabermos disso e achar que o mundo tem que nos ver como nós idealizamos. Vamos a um exemplo que vivo: a minha linda está doente e nem por isso desistirei de amar ela por causa disso, pois seria muito mais facil deixar ela e viver minha vida, mas sabemos que não é assim, não podemos fugir de nossas responsabilidades e sentimento. Será que ter sentimento é apenas pensar em sexo? Uma vez assisti um programa sobre sexualidade das pessoas com deficiência e um paraplegico (o grande incognita no nosso meio), disse que é dificil ter mulheres que aceitem o deficiente para sair. A psicologa (que foi por um bom tempo, minha psicologa) disse que não se trata uma sexualidade como um galo no meio de várias galinhas, mas para o deficiente, é um pouco diferente. Bingo! Os paraplégicos ainda não perceberam que estão numa cadeira de rodas, não perceberam que são um de nós, não perceberam que nem as “putas” querem transar com eles e querem idealizar seu próprio paraíso no próprio inferno, daí se fodem com isso. Não satisfeitos de fuder com eles, fodem todo o meio adaptando coisas que não servem a todos. Obrigado bando de inuteis, quando tomo banho na minha cadeira de abertura de pernas noventa grau, que penso está num parto, lembro que foi uns de vocês que testaram essa coisa linda que parece uma cadeira de ginecologista. Obrigado gente que faz “merda”, quando vejo a adaptação errada nos onibus adaptados e vans, lembro que foi um desgraçado como vocês que testou e aprovou; enquanto eu ando de onibus adaptado e van adaptada, com s adaptações todas erradas, vocês tem carro próprio e adaptado na sua portinha. Claro que existe exceções inumeras, mas a maioria faz isso, aliás, coisa que mais fazem.

 

Sentimento não é um kisuco que vende no mercado, não é um doce que quando não se quer mais se joga fora, quando se ama se ama de verdade. Sou um pouco budista nesta questão, pois não se pode ser meia gravida, ou meia gorda, ou meia magra, ou meia religiosa, ou meia qualquer coisa, ou você tem em mente é ou não é, ou para mim, renuncia a vida e vai pro inferno. Aliás, não existe meio inferno, ok? Não podemos ser mais ou menos nada, ou se é, ou não se é, relativismo como um pensamento extremo, chega a ser ridiculo e de repente até podemnos pensar, que agumas pessoas fazem isso, como um pensamento que convem. Quero me desculpar ao Nelson Rodrigues por não ter entendido as coisas que escreveu, mas sempre se é bonzinho quando convem, sempre se é moralista, quando lhe convem e inumeras coisas que daria um livro.

 

Por causa desse pensamento que tenho, que é muito melhor saber o motivo que levou toda a desgraça que pode estar embolando nossa vida, do que inventar uma alegria que não existe, que aliás, fazem dela como uma ditadura. Se você não assiste Big Brother, se você não faz no final de semana uma baladinha sagrada, então você é um chato que não quer desfrutar das inumeras coisas boas que nossa sociedade tem. Como disse, os escravos sempre servirão. Sempre serão escravos porque devem sempre atender os desejos dos outros, devem fazer o que os outros querem, devem pensar o que os outros querem e mesmo assim, deve encarar sua própria frustração. O que você fez da sua vida além disso tudo? Você acha que isso vai fazer da sua vida menos solitária? Claro que não! Você é sozinho porque é escravo, é sozinho porque faz tudo para agradar os outros, faz de tudo para agradar mais eles do que você mesmo. Isso é amizade? Está no meio de onde não se quer ir? Ainda, como sou muito amigo do meu amorzinho, entendo ela e converso com ela, ficam dizendo que sou o amigo gay dela. Para esses mando um gostoso, vai se fude!

 

Comecei o ano muito estupido? Não ligo, não quero saber, pois é facil acrescentar o que se quer regeitar e regeitar o que se quer acrescentar. Como diz o poeta Cazuza, faz parte do meu showzinho de sempre e digo o que quero, porque sento no meu pinico, amo a minha mulher, dou satisfação apenas a minha mãe. Graças a tudo isso, perdi alguns amigos, talvez pensaram que poderiam me domesticar. (risos) Doce ilusãos dos idealistas, doce ilusão daqueles que fazem do seu mundo um mundinho tipo Teletubbles, que não fazem o meu tipo, tomerei um anti-depressivo, ficarei bem. Feliz 2011!

 

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