Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 30 de setembro de 2010

Laudo Médico!

Será que nos respeitam?

Olha um anuncio de emprego que recebi no e-grupo do Yahoo Ciadef de uma consultoria:

“PROCESSO SELETIVO PARA 10 VAGAS EXCLUSIVAS PARA PESSOAS COM
DEFICIÊNCIA.

Operador de Supermercado, não é necessária experiência;

Encaminhar juntamente com o currículo o laudo médico atestando a
espécie e o grau ou nível da deficiência.

Requisitos:

Ensino fundamental completo – comunicativo – boa fluência
verbal – simpatia – paciência – proatividade.

Benefícios:

Salário fixo – vale refeição – vale alimentação –
vale transporte – plano de saúde e odontológico.”

Olha a resposta da colega do grupo Virginia daí volto para comentar:

Caros colegas,

Que absurdo!
“A empresa pretende contratar a pessoa ou a deficiência?
Aqui no Canadá é PROIBIDO se perguntar qualquer coisa pessoal de um candidato a uma vaga. (se se é casado, solteiro, se se tem filhos, e muito menos atestado de deficiencia). Que absurdo.
Eu como advogada não vejo isso com bons olhos. Me parece que eles não se preocupam com o candidato e sim em preencher uma vaga com risco de ser multado por não ter pessoas deficientes como parte do staff. E se precisa o que? Provar que é deficiente? Creio que um pouco de bom senso basta.
Aconselho a quem quizer aplicar para a vaga de não apresentar atestado de deficiencia algum. Tenho absoluta certeza de que pedir isso é errado e ilegal. Invade a privacidade do candidato a vaga e isso em si já é errado.
Alguém sabe qual é a rede de supermercados? Vocês deveriam, no mínimo, boicotá-los.
Abraço a todos por aí
Virginia Oliveira”

Será que eu li direito a resposta que a colega escreveu ou simplesmente ela disse que no Canadá é PROIBIDO perguntar coisas pessoais aos candidatos? A claro! Estamos nos referindo a um país sério que as leis são cumpridas e se tem, mesmo no meio empresarial, tem um senso tanto social como patriotico. Agora um país como o nosso que o povo é comprado com brindes de um real, um país que quer crescer sem investir nas estradas de ferro (trem), não quer investir em rodovias, não quer investir em portos mais organizados e menos “sujos”, não pode ser sério de jeito manera. Todo mundo acha que sermos colonizados pelos portugueses foi um bom “negócio”, mas não foi, tanto que Portugal está quebrado economicamente e é o país mais pobre da Europa. Mas como dizem, não adianta mais revirar o passado e vamos sempre renovar o futuro.

Se ela como advogada não vê com “bons olhos” imagina eu e minha noiva coordenadores de um movimento. A preocupação do empresariado é sempre preencher alguma coisa, não pagar a multa e ainda fazer propaganda que se preocupa com a inclusão das pessoas deficientes na sociedade e porque não, com isso, ganhar mérito por aquilo que não cumpriu direito. Outra coisa, não se pode negar e isso venho dizendo a anos, a Lei de Cotas está errada em sua concepção de englobar tudo que é deficiência. Como disse meu pai, eles querem um deficiente que fala bem, escreve bem, tem boa aparencia, andar e ainda dirigir…isso para vocês é um deficiente? Pior de tudo, seria uma vergonha se nosso povo fosse alfabetizado, que alguns movimentos e membros do segmento, não tem respeito nem pelos próprios membros e as lideranças nem sequer são lideranças. Não espero muita coisa dessa área do segmnto, basta ver essas lideranças batendo cabeça não querendo se aproximar muito da questão. No dia 25 de setembro houve uma reunião, tipo palestra, organizado pela Pastoral das Pessoas com Deficiência da Arquiocese de São Paulo que foi o IV Encontro Fraternidade e Pessoas com Deficiência da Arquicese de São Paulo, onde havia muitas pessoas e lideranças do segmento incluindo a Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes de São Paulo.

Num dado momento na segunda mesa, a Dra Laís Vanessa Carvalho de Figueirêdo Lopes que se diz especialista no caso das pessoas com deficiência e da convenção da ONU das pessoas com deficiência, não respondeu uma simples pergunta que era porque as agência de publicidade não pega pessoas deficientes para trabalhar, respondeu ainda que é ilegal um laudo médio, mas em algum momento as empresas pedem. Como diria Raulzito, pára o mundo que quero descer, porque acho que ouvi coisa errada. Como uma advogada titular do CONADE e que se especializou, sei lá o que, na convenção da ONU dos direitos das pessoas deficintes, diz que “acha” que é errado, mas algum dia as empresas podem pedir? Comprovar o quê? Que estou sentado numa cadeira de rodas porque me faltou oxigênio na hora do parto, ou igual a Marley, nasceu pré-matura? Não meus amigos, não estamos num país sério onde as empresas podem exigir o que é ilegal e lembra as milhões de vezes, que houve exterminios de etnias e até nós pessoas deficientes, quando nos rotulavam como “imperfeitos”. Hoje, hipocritamente, nos chamam de humanos.

Bom, as vezes, ponho isso também em duvida se esse segmento é humano, pois o que vejo nessas reuniões é de se lamentar. Já na entrada a Irmandade da Pessoa Deficiente foi chacotada, a Marley ficou nervosa porque simplesmente ficaram olhando para ela, ficaram com risos ironicos e tudo mais. Não sei não, mas tenho duvidas da maturidade de algumas lideranças do segmento, que foram na mesa representar e no minimo, poderiam ser a voz do segmento, foram o fracasso de toda a “criançada”. Se não bastasse a falta de respeito com o colega, que teve boa vontade de ir numa reunião menor para aprender e acrescentar, ainda ouve besteiras memoraveis como se fossemos obrigados a ouvir infantilidades. Uma atitude que ao meu ver não é “fraterna” e não faz jus ao DNA espiritual de alguns movimentos que não controlam seus correligionarios, não controlam as opiniões erroneas e conportamentos no minimo, podemos chamar de “animais no cio“. Talvez eu entenda o “porque” do tal laudo médico, sendo o segmento do jeito que é, quem será “louco” de dar um emprego para essa cambada? Não houve sequer entendimento dentro dos inumeros movimentos e em alguns casos, atrasados por causa de sua condutta fechada, alguns movimentos ainda estão na qusstão da nomeclatura ou no deficiente mental no relacionamento. Com inumeros textos na net sobre isso, inumeras discussões até mesmo na própria APAE, ainda resta duvidas? É notavél que as lideranças serem desinformados ou não formados, como queiram. Até mesmo certos “poderosos” casados que poderia respeitar sua esposa, não teve o minimo de respeito nem sequer comigo no lado da minha noiva, o que eu poderia chamar isso? Pior que o sujeito ainda era um simples vendedor de fichas, um ninguém que chamou a Irmandade de “prima“, poderia respeitar o segmento. Sendo lideranças assim, o que posso esperar dos menores?

Precisa-se de maturidade para tal discussão, porque sem maturidade não podemos ver coisas “obvias” que as vezes, não podemos enxergar. Não é uma questão de sermos a favor de um segmento politico, mas temos ética e moral de seguimos, afinal somos pessoas e pessoas são agentes morais daquilo que ‘verdadeiro. Podemos até botar o Imperativo Categórico kantiano, nada mais e nada menos que o entendimento daquilo que aquela lei opera e o ser humano como ser racional, provem (deveria pelo menos) de sua vontade. Mas perai pessoal! Ter vontade não é fazer as coisas, mas provir da razão e ver se aquilo irá beneficiar você sempre que encontrar aquela pessoa ou viver aqiuela situação, que fez a melhor escolha possivel. Eu, por exemplo, posso deixar de dirigir porque enchi a cara de cerveja, por usar a razão, eu não machuquei ou não matei ninguém batendo em outro carro ou atropelando. Isso é um sistema ético e vem de coisas muito mais profundas do que condutas e religiões, pois envolve a moral de uma comunidade ou de um povo. O Brasil está com uma discussão nesse patamar, porque muitos se importam consigo e não veem algo mais amplo, algo que o segmento precisa e nem sempre se vê ética. Um laudo médico é ético? Não! Porque contratam pela minha deficiencia e não pela minha capacidade e isso se chama discriminação, mesmo se é para validar, isso não vai garantir validade, posso comprar o laudo. E daí se eu compro o laudo médico e finjo ser cadeirante?

Não é só bicote que precisamos, como disse a colega, precisamos de uma conduta ética e madura dentro dos movimentos. Antes de pedirmos respeito, temos que respeitar, respeitar é aceitar que não estamos sozinhos e temos milhares de opiniões. Nós da Irmadade da Pessoa Deficiente repuldiamos o laudo médico e acreditamos que isso é uma afronta ao direito de privacidade e ainda mais, hipocritamente, sermos taxados veladamente, pelas nossas deficiências.

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