Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 31 de julho de 2010

resposta a presidenta da i.social

A presidenta da I,Social Andrea Schwarz respondeu meu texto sobre a lei de cotas que fiz, Lei da Farsa!, em cima de um texto dela no site Viver Mais Livres onde ela é colunista. Primeiramente, quero agradecer por ter desponibilizado um tempo para ler meu blog e entender alguns pontos que ponho dentro de minha resposta. Vou deixar a Andrea falar depois volto comentando:

Caro Amauri Junior;

O texto que escrevi refere-se a um panorama geral sobre a escolaridade das pessoas com deficiência e os dados apresentados estão baseados em pesquisa e em fontes seguras como o IBGE (Censo 2000).


Baseia-se também em minha vivência como pessoa com deficiência, cadeirante que sou, e na condição de consultora em empregabilidade de pessoas com deficiência, função que exerço há 12 anos, atualmente como presidenta da i.Social, uma consultoria que já ajudou a incluir mais de 6.000 pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
A situação de fragilidade educacional de grande parte da população brasileira de pessoas com deficiência é um fato e deve ser combatido, seja por meio de ações governamentais, seja por meio de programas de inclusão patrocinados por empresas privadas.


Porém, isto não significa dizer que não existam pessoas com deficiência qualificadas e prontas para o mercado de trabalho, ocupando, inclusive, cargos de alto destaque, especialização e grau de responsabilidades. Recentemente incluímos uma profissional com deficiência para ganhar R$ 9.000,00 na área de TI e um advogado para ganhar R$ 12.000,00.


A grande questão é que, infelizmente, estes casos ainda são minoria em comparação com o retrato geral. Concordo com você, quando diz que as empresas ainda investem muito pouco em acessibilidade e, consequência disto, acabam preterindo bons candidatos por não possuírem condições físicas para recebê-los.

Porém prefiro pensar que hoje estamos muito melhores de que há 10 anos atrás e que daqui 10 anos estaremos mais avançados na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
A situação obviamente ainda não é a ideal, mas temos certeza de que estamos fazendo a nossa parte, empenhados a cada dia em conseguir uma nova conquista, por menor que seja.


Entendemos a sua dificuldade e nos colocamos ao seu lado nesta caminhada. Mas te deixamos uma dica: busque uma atitude mais positiva. Busque o caminho da solução e do investimento pessoal ao invés de tentar achar o “culpado”.

Saudações
Andrea Schwarz

Presidenta
i.Social – Soluções em Inclusão Social

http://www.isocial.com.br
Twitter: @isocial_rh

Para começar , temos que tomar cuidado com estatisticas, princiipalmente, com estatisticas de dez anos atrás. Hoje existe uma maior gama de mães que tem consciência, que põe seu filho numa escola publica, junto com a maioria das crianças e assim, existe uma maior escolaridade no meio inclusivo. Não estou dizendo isso de ‘feliz” que sou, é o que vejo dentro do segmento e esse ano não vão nem colocar deficiencia dentro do Censo 2010, para exatamente, não mexerem nesses numeros e mudar a lei contrariando os empresérios. Sou céticos a numeros, porque estes podem ser manipulaveis aos interesses de poucos, sou cético também em relação ao empresariado, por razões obvias.

Também vejo que você é cadeirante, que você tem uma deficiência fisica, para dizer com autoridade o que a maioria vè e sente. Quero dizer que fui no site da I.Social e vi sua biografia junto com a do seu marido, fico feliz que vocês dois desenvolvem projetos para a melhoria das pessoas deficientes muito pobres de ajuda desse tipo. Que 12 anos de deficiencia para saber o que o deficiente passa e que tem a capacidade de fazer algo por isso. Mas vou lhe dizer uma coisa Andrea (xará da minha irmã), tenho 34 anos de deficiência, pois devido a falta de oxigenio na hora do parto e por ser gordo e grande, afetou a parte motora de meus movimntos. Tive várias operações na entidade AACD, entre muitas foram em minhas pernas, nunca em outro lugar; hoje sento, levanto segurando e etc. Tenho 12 anos de escola especial lá na Paulista (Colégio Rodrigues Alves que abrigava classes especiais), tenho mais 8 anos na OAT (Oficina Abrigada de Trabalho) da AACD que foi desativada por causa da precisão da sala na unidade da Mooca aqui em São Paulo. Vi muita coisa, vi que muita mãe e muito pai sub-protege as pessoas deficientes porque não querem que ela sofra, não querem que as pessoas vivam a vida, trancam elas nessas escolas ou em lugares desse tipo (guetos do tipo judeu pré-nazista, ou nos EUA, onde há guetos de outras nacionalidades). Então não temos uma cultura de aceitação por não haver deficientes nas ruas a muito tempo atrás, onde só a alguns anos, estamos já saindo.

Tenho também 16 anos de participaão de um movimento onde lutavamos pela inclusão das pessoas deficientes chamado FCD (Fraternidade Cristã de Deficientes), onde seu histórico remonta dês da França no periodo da Segunda Guerra Mundial. Nesse mesmo movimento, conheci a Marley minha noiva que tem a mesma deficiência que eu, só que ela foi nascer pré-matura aos seis meses de idade. Sairmos em 2008 de lá por um desentendimento como coordenador que exerci por seis meses, pois minha maneira de coordenar não é paternalista. Mas dentro desse movimento também vi muita discriminação, vi histórias de amigos meus experientes, que sabem trabalhar e tem capacidade de atuar em muitas áereas que as empresas não tem coragem de nos colocarem. Nesses dez anos, mandei curriculo para muitas empresas, muitas delas recusaram me contratar por ser cadeirante. Minha noiva até recebeu uma proposta de um empresário que contratava ela e não precisaria ir até a empresa, outras propostas também foram recusadas por ela também ser cadeirante e até, um posto Estadual recusou contratar. Nesse empenho de querer lutar pela causa, nós idealizamos o movimento Irmandade da Pessoa Deficiente, onde a um ano montamos e já fizemos um monte de denuncias e solicitações por causa de orgãos governamentais.

Pelo que leio e escuto, também vivo nessa vida, o preconceito não é um fator governamental, mas tivemos prova com o advento do nazismo e outros movimentos, é social. Não adianta temos boa intenção que no inferno está cheio, temos que ver a causa que levou o efeito, para combater essa mesma causa. A perfeição humana veio a muitos séculos e deveria ter acabado hoje por causa de mais conhecimentos, mas conhecer não é saber, muitas pessoas estudam cursos universitários e são ignorantes em muitas coisas como a educação. Outra coisa, seis mil pessoas perto de milhões é muito menos do que 1% de todas as pessoas com deficiência. Onde que empresas privadas vão fazer algo se as estatais não fazem?

A Irmandade teve que interferir em uma escola estadual por causa da falta de acessibilidade e adaptação que faltou dentro da mesma, onde uma sala que poderia ser acessivel, fizeram uma sala de computadores para os alunos. Entendeu qual a causa de tanta desfalque na educação na área da inclusão das pessoas com deficiência? Não adianta dizer palavras bonitas, o que vale e o que é mais importante é as ações das pessoas com defiência. Não investem muito pouco na estrutura das empresas, investem quase nada e não adianta tentar me convencer, porque sei muito bem disso, não é novidade nenhuma. Como disse acima, não vi nenhuma agência ainda respeitar a lei da cotas. Muito raramente vejo alguma empresa contratar o deficiente fisico, para área administrativa, não vi ainda ter vagas para publicitário e marketing ou outra área desse porte; ŧer um ou outro empregado nesses cargos é algo muito raro de se vê hoje.

Muitas empresas de pequeno porte contratam, é no minimo uma afronta a lei que não é respeitada nem por quem trabalham com essas pessoas deficientes, nem por quem deveria trabalhar. Por que não se fazem leis de cotas para universidades? Isso que chamo de mostrar o problema e dar a solução.

Outra coisa, não acredito em positivo ou negativo, não acredito em bem ou mal. As opiniões são uma só, o que diferencia é a maneira de pensarmos sobre a questão. O que eu faço alguns chamam de critica e nem sempre, uma critica é um mal ou um bem ou uma visão negativa ou positiva. Existe uma opinião objetiva ou uma opinião subjetiva, ou você tem uma opinião objetiva dos fatos mostrando o que está errado e o “porque” disso está errado ou ficar nas teorias apenas, que são opinioes subjetivas que só apontam um lado que não é concreto. Não estou de maneira nenhuma achando “culpados”, mas mostrando onde isto não funciona.

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Responses

  1. Amauri

    Estive aqui visitando seu Blog

    Parabens!!!

    Receba meu abraço


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