Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 30 de julho de 2010

Vereadora que quer ser deputada

Enquanto você promete, vou fazer côco

Com humildade, sei lá o que isso quer dizer ao povo brasileiro, a candidata a deputada federal Mara Gabrilli fez o seguinte pedido:

Mara Gabrilli Para quem puder me ajudar com a divulgação da minha candidatura, favor enviar via mensagem para que eu possa mandar o material de campanha:

Nome

Email

Telefone

Endereço (no caso de campanha impressa)

Ajudar sempre podemos, mas uma duvida fica na minha cabeça (pelo menos na minha): a vereadora, ou ex sei lá, é candidata a deputada está pedindo para divulgar uma campanha sem nada ganharmos? Não que quero grana, a nobre candidata nunca respondeu um e-mail meu, nunca resolveu o problema do Atende quando era da pasta da pessoas com deficiência, só quer adaptar a Avenida Paulista e quer ser deputada federal para quê? Minha plataforma politica é “ou você caga, ou sai da moita”, pois ou você faz e é competente, ou sai fora daí. Simples! Só que acontece que nem sempre o cidadão ou cidadã, “caga” ou sai da “moita”, pelo simples fato de haver muitos interesses no meio.

Para mim pouco me importa se são daqui ou até reptilianos (segundo algumas teorias dos esquisotéricos), não são lideres naturais, roubaram o lugar dos verdadeiros lideres. Quem vai me convencer que alguns deles estão preocupados com a inclusão ou coisa parecida? As cadeiras de rodas são isentas de impostos e estão mais de mil reais, uma cadeira motorizada está no preço de uma moto e nem tem muita coisa para custar tão caro. Uma cadeira de rodas Agile igual a minha está quase dois mil reais e não tem mais do que uma bicicleta e nem uma motorizada, tem nada a mais do que uma moto ultimo tipo. Mas lógico, esses politicos só fazem algumas rampas, colocam elevadores em prédios publicos e privados, onibus adaptados e fazem algumas leis de “merda” e acham que está bom. Com o que subimos essas rampas, com o que entramos nesses prédios, com o que subimos nas sucatas desses onibus adaptados?

Não me venham “estuprar” minha inteligencia dizendo que isso não tem nada a ver, que tudo é ilusão de minha cabeça. Não é e o deficiente cadeirante, em sua maioria, não tem consciencia politica porque só vê “Malhação” (a escola de atores da Globo) e ouvem radios populares que nem tocam a verdadeira MPB. Como posso acreditar em um futuro melhor para nós todos? Quem eu posso votar que fará com que eu tenha direito ao transporte, direito de ter uma cadeira de rodas digna para usar? Não uso o “eu” como uma forma exclusiva para mim, como se fosse só a mim o unico deficiente do Brasil inteiro, mas estou dizendo como representa-se cada deficiente de nosso país. Nem defendo partidos, não defendo ideologias politicas, pois segundo Aristóteles, somos animais politicos. Defendo a inclusão de uma forma séria e eficaz, onde temos esses direitos aparentemente e não somos respeitados por nada e nem por ninguém, pois somos “fruto” de uma cultura decadente ocidental que tem valores que desvalorizam o ser humano.

Por um lado, aparentemente a sociedade se humanizou com o advento do cristianismo proibindo o infanticidio, por outro lado, não deixou de lado a cultura patriarcal, onde é o homem que sustenta a casa. Hoje a mulher é independente, trabalha, ainda tem tempo para se cuidar, mas ainda, o ser humano racional, não viu que a evolução é linear. Nós deficientes somos cobrados por uma cultura antiga, uma cultura ainda paternalista que nada ajuda para nosso crescimento pessoal. Com esse progresso, veio os direitos das mulheres, direitos aos negros, direitos aos indios e até dos idosos, crianças e pessoas com deficiência. Mas fica a pergunta: para quê esses direitos se não podemos exercer eles em nossa sociedade marcada pela máscaras sociais de sua própria moral imposta? Não podemos nem pensar em namorar, muito menos em casamento, sermos felizes, pois isso é uma coisa pessoal para muitos movimentos, é uma coisa imoral para a maioria das religiões e uma coisa horrenda para algumas familias tradicionais. Então, a sociedade proibe a morte dos “deformes” para tranca-los dentro de casa, torturando psicológicamente até ser depressivo e morrer numa cama? Não é drama, é a realidade dos fatos, é a realidade de muitos de nós.

Em resposta a cara vereadora e agora candidata a deputada federal, digo que não votarei na senhora porque não voto em pessoa que não tem respeito pelo eleitor que lhe elegeu. Não gosto do seu partido PSDB por não saber nem fazr oposição, além do mais, não existe diferença entre este partido e o PT ou outro de esquerda, pois todos são iguais, todos se abraçam. Minha cadeira de rodas esta velha, esta desmontando, minha cadeira motorizada está precisando de bateria e está quebrada e uma nova não vai ficar mais barata só porque vou eleger uma pessoa que se diz uma defensora da causa da inclusão. Sou formado em publicidade e nem uma agència de publicidade vai respeitar a lei de cotas, nem minha noiva vai ter o direito de estudar porque a Secretária da Educação Estadual, hora não adapta as escolas como se devem (ainda mentem dizendo colocar elevadores), hora prometem transporte que nunca é no começo das aulas e ela não está indo. Onde tive resposta de todos os e-mails que mandei a senhora? Onde o taxi adaptado que estou pagando, não vai me deixar lá onde estou porque preferem não ir em alguns bairros? Onde vou ter direito em fazer uma universidade se as particulares nao tem obrigação de me dar bolsa de estudos? Não vou ter o ATENDE que tanto nos larga na mão quando a questão é ter uma consulta médica, ou para atender os interesses de certas entidades no Teleton ou na Fórmula 1. Como irei trabalhar se eles também não levam para o trabalho? Como posso votar numa pessoa que não viu isso como vereadora, imagina como deputada federal, e é tragico, o povo gosta de porrada.

Talvez possa dar razão ao Sylvester Stalone quando disse: “no Brasil você pode explodir o país e as pessoas ainda lhe agradecem”, pois acertou em cheio. Essa é a alma do brasileiro, alma de rebanho, como diria meu professor Friedrich Nietzsche.

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