Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 27 de julho de 2010

Lei da farsa!

Será que podemos trabalhar?

No site Vida Mais Livre, estava esse artigo de Andrea Schwarz “Trocar a roda do carro com ele em movimento” que fala da situação da inclusão das pessoas deficientes da leis de cotas:

Muitas empresas vêm nos procurar para tratar da falta de sucesso no cumprimento da cota de contratação de pessoas com deficiência. E um dos argumentos mais frequentes é a baixa qualificação dos profissionais com deficiência disponíveis para o mercado. Em um mundo corporativo cada vez mais exigente quanto ao nível profissional e educacional dos candidatos, essa talvez seja uma queixa cabível.

Em 2006, a i.Social, em parceria com a FEBRABAN, realizou uma ampla pesquisa sobre o perfil sócio-econômico das pessoas com deficiência. O resultado foi assustador: mais de 78% dessa população têm até sete anos de estudos completos. Somando-se a isso, dados do Ministério da Educação também são preocupantes: de acordo com o Censo Escolar de 2007, dos mais de 650 mil matriculados na educação básica, apenas 1,2% são alunos com deficiência e, no ensino superior, é menos de 10 mil alunos, o que representa 0,15% dos alunos.

Voltando à realidade das empresas, a partir desse triste cenário educacional: uma das ações que tenho defendido em relação à inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho formal é a qualificação dessa população. O raciocínio se revela óbvio: existe a lei que obriga empresas a contratar pessoas com deficiência e temos um panorama educacional dessa população preocupante e limitador. Então, antes de essas pessoas assumirem seus postos de trabalho, a empresa deveria investir em capacitação. Essa qualificação pode ser técnica, voltada para o negócio da empresa; pode ser geral, recuperando a educação básica; e pode juntar as duas modalidades.

Mas, um ponto merece foco: tenho visto e acompanhado alguns programas de capacitação e os que mais têm dado certo são aqueles que já contratam a pessoa com deficiência. Ou seja, ao ingressar na qualificação a pessoa já tem um vínculo CLT, tem sua carteira assinada, benefícios, etc. Isso tem dado certo porque as pessoas com deficiência são abordadas por várias empresas e se o vínculo com a qualificação for frágil, ela acabará saindo.

Sabemos que a educação básica brasileira deve ser reestruturada em favor do atendimento – com qualidade – aos alunos com deficiência, mas, não podemos esperar isso acontecer para ajustarmos a situação das pessoas que já têm idade para entrarem no mercado de trabalho. Como dizem por aí, temos que trocar a roda do carro com ele em movimento…

O problema não é a educação basica e a i.Social sabe, não são de maneira nenhuma ignorantes ao ponto de não saberem. Mesmo o porque, trabalham no meio para saberem o que estão dizendo. O que falta dentro disso tudo é vergonha na cara de alguns empresários que não querem contratar nós porque não querem adaptar suas empresas, não querem gastar mais do que devem segundo seus critérios, essa é a verdade. Onde está além da lei de cotas, a lei que obriga prédios publicos e privados a serem acessiveis?

Por isso eu digo, não basta terem discursinhos bonitos com belas palavras, porque palavras sem açṍes são “coisas” mortas. Porque nem sempre elas ditas são ações feitas e isso é em todo o segmento social, seja no ambito familiar, seja no ambito social-politico. No ambito familiar, muitas coisas acontecem sem a sociedade saber, porque a própria sociedade não quer, querem que tudo que é diferente sejam “ocultos” para não olharem. Lendas conhecidas são feitas, fruto desse desejo humano de não ver o que não é belo, o que não é perfeito, porque tudo que não é perfeito, não é humano.

A Andrea errou, errou no alvo, talvez por não viver uma realidade de muitos brasileiros com deficiência que não podem trabalhar porque as empresas ficam inventando mentiras, o governo fecha os olhos e o deficiente bate palmas para essa farsa que é a lei de cotas. Aqui no meu lado está meu diploma de publicitário, eu não tenho como Andrea disse, menos do que o segundo grau. Onde posso arrumar um emprego de publicitário? Cade as lei de cotas nas agencias de publicidade? Um mistério!

meu Portfólio >>> http://www.vitrinepublicitaria.net/Amauri

Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953–Liberdade_e_Deficiencia_

Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e espiritualidade aqui ó >>> http://www.formspring.me/Amaurinolascosj

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Responses

  1. É, as coisas estão complicadas para nós trabalhadorees portadores de deficiencia.
    Nesta semana em um processo de seleção de uma grande instiuição bancaria, eu pessoa com deficiencia com uma carga de 6 mil horas em administração e rotinas administrativas, fui fazer uma seleção e eles me pediram que eu fize-se um curso de capacitação de 30 horas de rotinas e conhecimentos administrativos.
    Quando tem pouco estudo o deficiente não esta no mercado popr falta de capacitação e formação profissional. Quando tem um pouco mais de estudo, só tem vagas para call center e atividades secundarias.
    Cade as vagas para Diretores, geresntes cehes e encarregados, pessoas com deficiencia nao podem ocupar estas vagas.

    Warley Vina
    Trabalhador portador de deficiencia no mercadso tentando colocação profissional.

    • é uma vergonha que temos que passar por causa de hipocrisias institucionais.

      Obrigado Warley pelo comentário

  2. Caro Amauri Junior;

    O texto que escrevi refere-se a um panorama geral sobre a escolaridade das pessoas com deficiência e os dados apresentados estão baseados em pesquisa e em fontes seguras como o IBGE (Censo 2000).
    Baseia-se também em minha vivência como pessoa com deficiência, cadeirante que sou, e na condição de consultora em empregabilidade de pessoas com deficiência, função que exerço há 12 anos, atualmente como presidenta da i.Social, uma consultoria que já ajudou a incluir mais de 6.000 pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
    A situação de fragilidade educacional de grande parte da população brasileira de pessoas com deficiência é um fato e deve ser combatido, seja por meio de ações governamentais, seja por meio de programas de inclusão patrocinados por empresas privadas.
    Porém, isto não significa dizer que não existam pessoas com deficiência qualificadas e prontas para o mercado de trabalho, ocupando, inclusive, cargos de alto destaque, especialização e grau de responsabilidades. Recentemente incluímos uma profissional com deficiência para ganhar R$ 9.000,00 na área de TI e um advogado para ganhar R$ 12.000,00.
    A grande questão é que, infelizmente, estes casos ainda são minoria em comparação com o retrato geral. Concordo com você, quando diz que as empresas ainda investem muito pouco em acessibilidade e, consequência disto, acabam preterindo bons candidatos por não possuírem condições físicas para recebê-los.
    Porém prefiro pensar que hoje estamos muito melhores de que há 10 anos atrás e que daqui 10 anos estaremos mais avançados na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
    A situação obviamente ainda não é a ideal, mas temos certeza de que estamos fazendo a nossa parte, empenhados a cada dia em conseguir uma nova conquista, por menor que seja.
    Entendemos a sua dificuldade e nos colocamos ao seu lado nesta caminhada. Mas te deixamos uma dica: busque uma atitude mais positiva. Busque o caminho da solução e do investimento pessoal ao invés de tentar achar o “culpado”.
    Saudações
    Andrea Schwarz
    Presidenta
    i.Social – Soluções em Inclusão Social
    http://www.isocial.com.br
    Twitter: @isocial_rh

    • Olá Andrea
      Dê uma olhadinha no blog que a resposta já foi postada.

      Saudações


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