Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 29 de junho de 2010

Vuvuzelas do Pré-conceitos

Entre festejos de Copa e outras coisas (festas  juninas), temos muito ainda o que fazer sobre conceitos errados sobre nossa condição de pessoa com deficiência fisica entre outras outras deficiências também.  Há uma grande diferença entre os termos  “preconceito” e “conceito”, pois um pré conceito é uma visão pré conebida daquilo que criado para ser uma verdade, se torna algo rotulante. Por que rotulante? Verdades pré-estabelecidas de tanto serem repetidas,  viram sistemas já configurados dentro da programação mental da sociedade vigente. Quer ver isso é só os “diferentes” sairem de casa e fazer o que as pessoas – ditas normais que fazem tudo o que as “outras” fazem sem serem vigiadas – fazem e são rotuladas como incapazes pela maioria.

Nesse dia 26 de junho de 2010, eu e a Marley fizemos dois anos juntos e queriamos olhar os móveis para preparar nosso casamento e chegando lá na loja das Casas Bahia do Shopping Aricanduva, entramos para pergutar e pesquisar os preços de cozinha e quarto (seria dormitório). Mas, como nada é perfeito, já na entrada o vendedor perguntou a minha noiva (Marley), se ela teria ido pesquisar celulares que já é caracteristico nesse perfil. Como disse, as pessoas fazem uma imagem da pessoa com deficiência fisica (principalmente cadeirante), meio – ou totalmente – infantilizada, por causa da associação entre nós e a imagem de seres indefesos que não sabem fazer nada. Por que uma mulher de cadeira de rodas, tem que necessariamente, comprar celular? Para mim isso caracteriza um conceito errado, sendo também caracterizado, descriminação por ela ser cadeirante.

Isso é uma anomalia dentro das inumeras éticas e culturas que nós, os ocidentais herdeiros da moral judaica-cristã, tem como discurso de normaiade e anormalidade. O filosofo frances Michel Foucault, dizia em seus escritos, que tanto o incluido (pessoa aceita) e o excluido (pessoa não aceiita), depende muito do discurso social onde está inserido esse “individuo”. Além do próprio discurso politico onde uns são considerados “loucos” (que não seguem a moral e a “boa” conduta), outros são cosiderados “sãos” (que seguem a moral e a “boa” conduta). Por exemplo, todo mundo faz uma imagem que quem não gosta de futebol é mulher, que todo homem “tem” categoricamente, de gostar de futebol. Há nisso um forte apelo tanto machista – pelo fato de só a mulher não gostar de futebol e o homem não gostar de novela – quanto a ideia de “verdades” já mentalmente consebida pela sociedade a anos ou séculos. Não há como sair, mas eu tenho todo o direito de não gostar, mesmo que me torne para essa sociedade, um louco que não gosta de futebol, não gosta de novela e gosta de rock. Isso. mais ou menos, é o que fala Foucault no seu livro Ordem do Discurso que depende muito do discurso social onde existe a vontade de uma verdade – mesmo que essa não exista – de convencer o “outro” de coisas que a maioria acredita.

Não devemos nunca desprezar essa “maravilha” de pensamento de Foucault. Por que? Como um homossexual, um filosofo que por muito tempo, estudou a situação dos marginalizados da sociedade vigente (no caso do louco e do carcerário que são “excluidos”) viveu aquilo; como exemplo de algo maior que é a arrogância humana, que devemos sempre seguir o que a maioria segue. Quantos morreram por não seguir aquela fé ou aquele pensamento no qual todos acreditavam? No mais, o vendedor que fez essa pergunta a Marley e despresou sua potencialidade como uma consumidora e cliente, é apenas mais um escravo do pensamento do senso-comum. Nada mais é do que o reflexo de uma sociedade hipocrita que vê as pessoas com deficiência com um “ar” de infantilidade perpetua, com um desprezo enorme que ali naquela cadeira de rodas, está a criação da vida e um ser humano. A vontade da verdade de Foucault, está correta no contexto sociologico, a linguagem reflete o pensamento onde somos julgados e sentenciados por não sermos iguais o que a maioria imagina, o que a maioria tomou como padrão de beleza e de corpos para serem clientes e consumidores. Não é só isso, ninguém aceita idéias contrarias aquelas que acredita, pois sempre vai ser aquela crença que determinará o que podemos ou não fazer e se eu vou reprimir ou não, a minha vontade sobre aquilo. Quem vai determninar, para mim e para a Marley, se para ter os móveis tem que averiguar a casa para compra-los?

O próprio segmento nos despreza por ter essas idéias, por escrever sobre autores e sobre situações que realmente, assim dizem, não vivemos. Mas isso que estou relatando é verdade, pois gosto de ler e escrever, mas não transformo meu blog em diário – que nada tenho contra, mas é um “porre” ler esse tipo – como se a minha vida tem que ser exposta, para mim ter crédito daquilo que escrevo, como o deficiente fisico, seja aquele cara que tem que matar um leão a cada dia para “provar” algo. Por que tenho que provar algo? Por que tenho que esconder que leio filosofia? Por que tenho que falar que a “Luciana” da novela Viver a Vida, foi um “marco” para a causa da deficiencia? Aliás tem duas coisas ai: primeiro, vejo esse personagem vulgar, mimada, babaquinha e sem graça; segundo, que no meu vocabulário não existe “tenho que” que é equivalente a o “tu deves” de Nietzsche (tudo bem, cometi o sacrilégio do segmento e mais uma vez citar um filósofo, perdão pelo pecado!). Talvez esteja errado, talvez certo, mas nunca irei esconder o que penso e sei por causa de “meia duzias” de mediocres que me põe como apenas no ambito de filosofar e nunca viver aquilo por completo. Eu e a Marley vivemos isso do vendedor a distancia, virtualmente, ou fomos até o Shopping Aricanduva e aconteceu esse determinado fato? Será que estudei todos esses anos no mundo virtual? Será que a Marley vai estudar a distancia esse segundo semestre?

Lembro que um homem sábio da Galiléia disse para não julgar para não ser julgados, pois na mesma convicção que julga, será julgado no mesmo patamar. Será que posso julgar aqueles que nos julgam incapazes ou aqueles que criticam o que faço na mesma proporção que sou julgado? Na lei universal sim, mas não vou perder meu tempo com mazelas humanas e mediocres e sim, algo que realmente, ajude o segmento a crescer e não ser tratado como criança e eternos “excluidos”. O próprio deficiente se sente excluido e se exclui, por causa do seu sentimento de inferioridade no qual se encointra e por acreditar em todo mundo que lhe põe numa condição de incapaz. Sendo assim, todo mundo nunca saberá que ele sofre, ama, deseja e tudo mais, por se sentir dependente; mas por outro lado, nunca na história da humanidade, um ser humano foi totalmente independente do outro, é uma falácia. Diante de tudo isso que nós passamos (eu e a Marley), diante de todas as criticas que nós recebemos (por não escrever nem o que o segmento gosta e nem a palavra de Deus), acreditamos que não vivemos numa democracia e sim numa ditadura; uma ditadura verbal que domina pelas palavras e não pela força, que domina pelo medo (no caso da religião) e não mostra a beleza de viver hamoniosamente, sem medos ou “problemas”. Qual o problema de duas pessoas com deficiência casarem?

Como sempre disse e repito, a Marley também diz, não há rampas que mudarão conceitos sobre a deficiencia e sim, ações. Não é pregar a palavra de “Cristo” e o que for, nem dizer pelavras “bonitinhas” para agradar, são ações que mudam um conceito irraizado dentro de um segmento inexistente. Dos 18 livros que vendemos, não sei se teve deficiente que comprou, a maioria não foi o segmento que comprou: Liberdade e Deficiência, é um livro que não foi lido pelo segmento e assim, ele não existe para nós, não existe como uma luta séria e eficaz. Diante daquilo que não existe, não se tem mais nada a se falar e assim, as Vuvuzelas do pré-conceito tocam sem parar.

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