Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 26 de março de 2010

violência contra as pessoas com deficiência



Irmandade das Pessoas com Deficiência

Quando você está dentro do segmento (que no meu caso é de pessoas com deficiência), vimos coisas absurdas e outras superam o cumulo desse absurdo . O filosofo Tertuliano disse um dia: “Creio porque é absurdo” e não tiro sua razão porque cremos em algo sempre quando esse “algo” é absurdo e inexplicável, coisas obvias e que estão na “nossa cara”, não vimos, como aprendi quando fazia o curso de publicidade. Quer mais obvio que as pessoas exploram as pessoas com deficiências por que não podem se defender? Uma coisa é ser pobre, outra coisa é ser sem-vergonha.

Muitos irão descordar de mim, mas eu vejo isso sempre, não que minha família faz isso; mas vejo isso, porque tenho muitos amigos que vivem isso, até mesmo minha noiva, vive isso. Não é fato novo para mim e é manchete, em algum “santo dia”, dos noticiários de TV. O que leva a uma família ou pessoas a fazerem essas coisas, se perante a lei, somos todos iguaizinhos? Não sei se sou meio romântico dentro do segmento, mas ainda sim, acredito que somos iguais perante a lei dos homens. Pois na lei do universo, não interessa se somos cristãos, muçulmanos, budistas, hinduístas e etc…tudo é feito logicamente e perfeitamente perante a lei que o Criador o fez, se um dia o Sol explodir, vai ser feito com o sem o ser humano está aqui na Terra e é assim por todo o Universo. Mas não é isso que venho escrever nessas linhas, caro leitor, e sim a situação desumana que vive as pessoas com deficiência nesse Brasil afora com o sem religião.

Li muitas vezes, que o mundo antigo não tolerava a deficiência, não interessa se era rico ou pobre, nasceu deficiente era morto de alguma forma. Com a vinda de Jesus (se existiu ou não é outro caso), nos deu outro tipo de moral, uma moral humana e tolerante (a principio sim). Mas com o tempo, a moral jesuíta (de Jesus) ficou abalada com os hipócritas que ele ( Jesus) sempre combateu em seus discursos. Em Esparta, por exemplo, na antiguidade, foi um Estado grego que cultuava muito a força, tanto é, que eles eram um povo guerreiro, cada cidadão tinha que servir no exercito e defender seu povo. Não tinha paz, porque eram a favor da guerra e tinham como inimigos os atenienses. Por que essa aula de historia? Bem, para serem um povo guerreiro, dês dos sete anos, os meninos eram atirados na selva para aprenderem a serem independentes e não demonstrar medo e nem piedade, e eles chamavam essa educação de Agoge. Mas para ser um guerreiro o menino tinha que ser perfeito, tamanho certo, pois senao era descartado e jogado num abismo sem dó. Hoje em dia, depois de dois mil anos aproximadamente, somos tolerados e até nos chamam de humanos, só que ao mesmo tempo que somos tolerados, somos rejeitados e temos que ainda mais, tolerar hipocrisia.

Na Convenção dos Direitos das pessoas com deficiência podemos ler na questão N podemos ler: “Reconhecendo a importância, para as pessoas com deficiência, de sua autonomia e independência individuais, inclusive da liberdade para fazer as próprias escolhas;”. Não é eu que inventei isso, caro leitor, como está declarado na Convenção e se está em um documento internacional, não podemos desperdiçar. Nós , pessoas com deficiência, temos o direito a autonomia e escolha que na maioria dos casos, não é respeitado essa condição, que pasmem, na maioria dos casos é a própria família que não respeita. Mas não é só a autonomia e as escolhas que não podemos fazer, que na maioria dos casos somos tratados como crianças, também no processo de violência muitas vezes, ocorre no âmbito psicológico, que é mais cruel.

Mas o que é crueldade? O que chamamos “crueldade” nada mais é o medo produzido pela sua imaginação. O que é imaginação? Imaginação é as ilusões geradas pelo medo das informações que vimos e recebemos externamente, como lemos na internet ou vimos na TV, então quando o deficiente começa ser autônomo, se gera um monte de ilusões para sub-proteger essa pessoa. Ao mesmo tempo que temos medo, temos que impor esse mesmo medo nos “outros” que queremos proteger, sendo esse, objeto de nossa “Glória” de sermos responsáveis por alguém. Pois para o Estado somos meros representantes de trabalho braçal, mas dentro de nossa casa, somos glorificados por eu “mandar” em algo ou alguém, a vaidade de se sentir superior faz o ser humano impor o medo naquele que ele acha inferior, gerando muitas vezes, uma submissão. Mas quando essa pessoa não se submete a esses tratos e não se submete ao medo que o outro gerou, o desespero toma conta porque esse medo não deu resultado. O poder se anula por não cumprir o contrato que se fez, porque não se deu na condição recursos para se viver e ficar protegido, então essa pessoa tem o direito de se revoltar, gerando o principio de se alto regulamentar o recurso que ela precisa. O direito natural é a autonomia plena, pois a sociedade contemporânea aboliu o e assim, gerou o direito dessas crianças (que vão ser adultos) de ser incluídas e ter autonomia, dentro dessa mesma sociedade que se ela não lhe dá recursos, a revolta é inevitável e necessária.

Mas quem pode legitimar um ato de autonomia? Daí sou meio kantiano, pois o ser humano ao ter esclarecido de sua condição tem o pleno dever (qualquer condição humilhante que traga degradação a sua livre conduta), em exigir onde tenha nascido que cumpram o contrato de proteção e dignidade. Pois não há diferença entre a micro-sociedade (a família) e a macro-sociedade (o Estado), tendo essa conduta, toda sociedades de primatas. Querendo ou não, simpatizando ou não, somos símios que pensamos e criamos tecnologias (embora exista macacos que até quebram castanhas com pedras), isso está em nato senso em nós (tendo ou não deficiência). Ora, se somos animais que percebemos nosso ambiente, somos chamados ao dever de lutar pela nossa autonomia e nossa própria liberdade. Se não fizemos isso, pensava Kant, nós não estamos sendo coerentes com o que devemos ser sem a tutela do outro…no texto dele “O que é o Esclarecimento?”, está escrito que devemos por obrigação está sempre em volto no conhecimento e assim, somos humanos. Quando temos a ousadia de saber, podemos ser autônomos por não dar ao outro, ousar sermos nós mesmos. É muito comodo temos “tutores” sendo não obrigação nossa, temos o intuito de pensarmos e refletimos sobre aquilo que nos aprisiona.

Se temos o direito de temos autonomia, por que que perante todos, somos eternas “crianças”? Sim caros amigos, temos o direito de sermos autônomos e ao mesmo tempo, temos que ter um “responsável” para sermos cidadãos de um Estado que se diz democrático. Mas como disse lá trás, se a sociedade aboliu o infanticídio como método para eliminar os “imperfeitos” como forma de tolerância cristã, tem que eliminar as barreiras de conceito pré-estabelecido de um má demonstração daquilo, as barreiras arquitetônicas e as barreiras micro-sociais (a família). Mas não é só isso, como minorias (daí temos que tomar cuidado, pois as minorias acabam virando a maioria), reivindicar o que temos direito e não podemos exercer como seres humanos que somos. Ai sim, a revolta e a revolução tem sua legitimidade como uma quebra de contrato, pois estava lá na resolução que se acabassem com os infanticídios, a sociedade iria ser caridosa com as pessoas com deficiência. Cadê a parte deles que não se cumpriram? Os Estados democráticos não cumpriram e se não levantarmos nossas bandeiras, não vão cumprir.

Muitos movimentos não levantam a bandeira por falta de argumento e por covardia, porque estão dando ao outro o poder das decisões, estão dando ao “outro” o poder de ser nosso tutores. Os próprios movimentos dão ao outro o poder de “barrar” nossa autonomia, não acreditando em nosso potencial, não acreditando que é muito melhor a qualidade do que a quantidade. Daí nossas argumentações, segundo seguem, são anuladas pelos movimentos que deveriam deter e defender nossos interesses e não cumprem esse papel, porque ainda existe uma ilusão ao Estado democrático e a conduta da paz. Mas o que seria a paz com o silencio daqueles que querem falar? É apenas o conformismo que somos seres dependentes de algo que são apenas ilusões de mentes envoltas em fantasias que puseram em nossas mentes. Por que isso? Acreditamos que temos liberdade, para fazer o que quisermos, o que falamos e o que compramos; mas nossa “vontade” é dirigida e manipulada pelas milhares de recursos que o Estado e a minoria dirigente, usa para nos entreter.

Na verdade é uma imensa Caverna onde o filosofo Platão disse que estamos, onde a verdade é escondida atrás de sombras que se fazem trazendo em si, somente a aqueles que as fazem, querem que nós vejamos. Como acontece na novelinha (onde esta a “aleijadinha” pomposa, queridinha dos acorrentados), onde querem que sejamos iludidos com aquilo, mas não é a verdade e sabem disso, então querem alienar as pessoas com deficiência e os movimentos sabem e se fazem de “surdos” e “cegos”. Se os próprios movimentos oprimem o que dirá a sociedade preconceituosa? A violência contra as pessoas com deficiência é apenas um reflexo da ineficiência dos movimentos que escolhem sua luta, pois se não lutam nem para livrar seus integrantes da opressão, quem dirá nas questões politicas que precisam muito mais de maturidade. Já é uma violência social ter que aguentar as pessoas ditando o que devemos fazer, não poder termos nossa vida, não podemos morar sozinhos, não podemos casar, não podemos ter uma vida sexual e por ai vai. Estamos vivendo igual o filme Matrix, vivemos numa imensa ilusão que nós aceitamos que nos impõem por mera conveniência, mera aceitação do “pão e circo”.

A maioria das ilusões são de maior parte, coisas que aceitamos com veemência por causa na maioria das vezes, coisas que “temos” que fazer para nossa própria comodidade. A violência vem sim da intolerância e o abuso, daquilo que é diferente e fraco, mas é um pouco nossa culpa que aceitamos tudo sem questionarmos e sem ficarmos alerta a aquilo que nos é prejudicial, aquilo que o mundo e a sociedade não tolera jamais.

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Responses

  1. oooooooooi

  2. oiiiiiiiiii
    Gostei do texto!!


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