Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 24 de fevereiro de 2010

Dr House ao Matanza na inclusão

Duas coisas mais me intrigam na vida, essa passividade das pessoas com deficiência e essa conformidade que atingi o ser humano que está aqui no Brasil. Não há em todo o planeta povo tão dramático como o povo brasileiro, porque somos descendentes da cultura portuguesa que quase se confunde com a religião católica. Mas esse texto não é para falar das culturas e muito menos, da portuguesa e da brasileira (pelo menos, profundamente).

O médico provocador House é uma figura enigmática, sua maneira cética e romântica na maneira de querer as pessoas inteiras, fazem de suas falas algo para se pensar. Quantas vezes queremos dizer algo a alguém e não temos coragem? É tão dificil as pessoas encararem a verdade que muitas vezes, quem diz essa mesma verdade, fica sem amigos. Mas o Dr House não tem medo da solidão, porque ele vive dentro dessa mesma solidão, simplesmente, sua verdade é uma maneira de dizer que as pessoas tem que gostar dele, com ele dizendo todas essas “verdades” que ele costuma dizer. Na  verdade ele pouco se importa o que as pessoas pensam dele, que deveria ser seguido por todos, não é? Mas não é bem assim que a humanidade pensa, porque há uma necessidade irresistivel de fazer as coisas para se sentir bem razoavel para as outras pessoas e “ai” se você não reconhecer, fica todo depressivel. A verdade machuca aqueles que não sabem ouvi-la.

Já o Matanza é algo perculiar no rock nacional, é daquelas bandas raras que fazem musica inteligente que critica a sociedade hipócrita que vivemos. Raro porque hoje a musica nacional está muito pobre, está precisando de pessoas inteligentes, no meio rock, só bandas EMOs mesmo que não passa de sertanejo com guitarras de hardcore. Pitty, Matanza entre outros, é da geração que cresceu ouvindo os maiores como Raul Seixas, Cazuza, Legião Urbana entre outros que faziam uma critica inteligente e para muitos pensarem. O que eles tem em comum? A critica inteligente, não para ofender ou para viverem em um mundo a parte, mas para as pessoas pensarem em nossa condição de simios pensantes. Dr House é um romantico que quer ver as pessoas inteiras e não pela metade, quer que as pessoas encarem seus medos, suas angustias, seus amores e ódios, como se fossem algo seu mesmo e não algo externo, vem no intimo de cada um e é seu. As musicas do Matanza, Jhonny faz uma critica a sociedade que ainda se manteve conservadora, como se não ouve revoluções culturais e que herdamos muito pela TV a cultura norte-americana que veio do velho oeste americano. Na verdade, ele mostra que não há diferença entre lá e aqui, nosso velho oeste fica  no nordeste e faz jus ao que chamamos da cultura do “machão”.

Na musica “Maldito hippie sujo” mostra o ódio gerado pela cultura vigente, porque ao torturar um hippie, os capangas do fazendeiro mexeram com os outros hippies e foram mortos por eles. Se não houvesse intolerancia com o hippie, não haveria mortes na cidade, se as pessoas não ficassem implicando com as atitudes de outras pessoas, não haveriam tantas mortes ao longo da historia humana. Não é só isso, muitas pessoas ficam apaticas com as outras por causa de suas roupas e suas atitudes que tomam na vida, como sendo algo diferente daquilo que a cultura tradicional. A cultura cristã é a mais critica, é a mais nazi-fascista que há no planeta e tenho certeza que Jesus não aprovaria tal atitude que levou o esgotamento metafisico da doiutrina cristã, que apenas sobrevive, porque o povo quer se esconder atrás de algo; a igreja transvestiu tudo uma cultura pagã, para realizar a dominação do poderio que se diz cristão, como se houvesse algo desse tipo na biblia que legitmasse esse tipo de atitude.Por que digo isso? Vendo algumas atitudes que “acham” ser cristãs, como se arrumar bem, isso é soberba e vaidade que apenas mostra que nem tudo largamos da cultura pagã greco-romana. Só que a cultura greco-romana falhou, que aliás, não foi muito a grega ateniense que herdamos, mas a cultura espartana do culto ao corpo e a aparencia, culto a guerra e culto a força de um homem. Nada de errado, só no caso de ser cristão e de ser o bonitinho dos outros, que herdamos a demagogia e a hipocrisia romana. As guerras e o culto a beleza se tornam algo segundário e hipocrita por causa da suposta tolerancia cristã, assim sendo, fica algo ao contrário do que Jesus sempre salientou que devemos procurar a verdade que ela sempre nos libertaria disso tudo.

Ora, o que é evidente nisso que Jesus disse da verdade? Simplesmente que estamos numa ilusão que nós próprios produzimos, nós achamos por bem tolerar o outro por causa do medo da solidão. Uma pessoa que não quer ser igual, se torna alguém rebelde, alguém que não aceita a cultura cristã e não é cristão. Mas nunca Jesus disse que a “MINHA’ verdade vos libertarás, mas a nossa verdade nos libertaria das verdades supostas que nos põem em nossas cabeças. Isso me lembra uma musica dos Titãs que se chama “Diversão” que diz que as vezes qualquer um faz de tudo por sexo e diversão, mas que só almentam a dor e a solidão; as vezes isso aconrece com as meias verdades que temos que dizer, as pessoas não toleram a miseras verdades delas e as musicas que mostram isso não se tornam populares. Herdamos a cultura  portuguesa das aparencias, daquilo que deveriamos acreditar e rezar senão seriamos queimados em fogueiras, pois herdamos o medo de nossos antepassados. Não é muito diferente da cultura norte-americana calvinista, pois lá a censura é severa, qualquer coisa vira guerra e tudo por causa de dinheiro, tudo é questão de meias verdade que podemos ver no Fringe e no Arquivo X. No budismo zam-zem isso é bem evidente quando os mestres dizem ou você faz ou não faz, tentar não existe, tentar é o rumo da ruina intima de ser dominado pelo medo das aparecias; þor um lado, Jesus disso exatamente isso, não existe meias verdades e sim, uma verdade inteira que evidencia sua própria natureza que te liberta das ilusões. Sendo um pouco radical (como se isso não fosse de minha natureza), Jesus não era cristão como Buda não era budista e isso é evidente em muitas falas que não correspondem as atitudes dos seus seguidores hoje em dia.

Muitas pessoas não fazem por medo das aparencias, por medo que os “outros” vão falar de suas atitudes perante suas decisões, e é evidente que as pessoas com deficiencia tem essa atitude perante a vida, sempre dizem que irão tentar e não é assim, ou elas fazem ou não fazem, tentar não existe. Dr House veio de uma cultura protestante calvinista, ele não aceita o Deus bom e sempre diz que o ser humano mente, que só por ele ser um cara que gosta de ser sincero, não vai para o céu. Ele ficou deficiente por causa de um infarto, o nervo de sua perna morreu e ele usa uma bengala e toma aspirina, mas não se acomoda e tem atitudes perante as coisas. A vida é uma questão de atitude com as coisas que desejam, pois a vida é uma questão de mudança e a resistencia a essa mudança, nós trará muita frustração. Essa semana quis ir na casa da minha noiva e chamei um taxi acessivel, não liguei para as pessoas que falavam, tive uma atitude perante a vida. Dr House diria a um deficiente que um dia ele vai morrer, um dia sua familia vai deixa-lo de lado, você só vai ser mais um movel na casa por não tomar uma atitude.

Na verdade temos medo das sensações que a vida nos presenteia, se escondemos atrás dessas meias verdades ṕorque temos medo de encarar as sensações e essas mesmas sensações sempre nos levam a mudanças. Só que temos medo dessas mudanças, temos medo dessas sensações, porque temos irraizados dentro de nós, a moral religiosa judaica-cristã que nos remete que tudo é pecado. Pecado para Deus ou para a religião? Sim, porque temos dois pecados, um para atender os interesses dos “pastores” (que lógico, iludir os fiéis e comprar aviões não é pecado) e ao Criador como um modo de respeito. Mas ai que tá… o pecado do Criador é com nossa atitude  conosco mesmo e com o próximo, afinal, Jesus mesmo disse que o que importa não é o que entra na boca do homem, mas o que sai. Isso agrega muito essas meias verdades que dizemos para as pessoas com o intuito de agrada-las, não para mostrar nossas opiniões. Nas musicas do Matanza há isso, como na musica “Eu Não gosto de Ninguém” onde diz que não prometemos nada a ninguem e tudo isso que a sociedade nos cobra, onde devo prometer, devo pedir favor, o famoso “tu deves” de Nietzsche.

Mas devemos algo a alguém? Não creio…aliás, devemos algo a nós mesmos e nada mais e nada menos.

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Responses

  1. Ola amigo, parabéns pelo texto e pelas observações, apenas tenho a fazer uma ressalva, quanto as influências musicais do Matanza… que passam longe de Legião Urbana, Cazuza e muito menos Raul Seixas (nada contra eles) as influências do Matanza são na verdade bandas de metal extremo, Hardcore e rock n roll estilo AC/DC Motorhead e até Johnny Cash o proprio guitarrista por exemplo tem projetos paralelos de black metal e tal… os riffs do Matanza são muito semelhantes ao do Slayer… frequento os mesmo lugares e shows que o guitarrista, o Donidas.. shows de metal extremo… e tal, realmente é mundo mais underground que a maior parte do público do Matanza que assiste a MTV nem sabe que existe.

  2. Uma série que se tornou as melhores propostas nos últimos tempos ele tem um roteiro muito atraente e os personagens são ótimos, especialmente o protagonista.


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