Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 4 de fevereiro de 2010

Mara Gabrilli e a Inclusão social


As vezes as pessoas dizem que tenho criticas “acidas” com relação a Mara Gabrilli, mas ninguém sabe que acompanho o trabalho dela dês do começo e me encheu de alegria que mesmo com deficiência podemos muita coisa. O leitor deve está perguntando: – O quê?! O Amauri falando em alegria sendo que só critica as coisas, como é isso?

Minhas criticas não são para acabar com as pessoas e seus devidos trabalhos, mas sempre melhora-los e até pôr eles em seu devido lugar, senão, fica rodando igual os cãozinhos que correm atrás do próprio rabo. Mas o que todos não sabe é que tenho uma enorme admiração de pessoas com deficiência como ela, que não ficam vendo a vida passar não, vão a luta e não ficam achando pêlo em ovo. Por que pêlo em ovo? Porque muitos de nós, as vezes, mascaramos uma VERDADE como um PRECONCEITO e não é. Verdades são relativas ao que as pessoas pensam sem nenhuma POMPOSIDADE, se temos uma “limitação”, temos que encarar essa “limitação” sem as mascaras que muitos põem para nos tratar como “coitadinhos”, mas que as vezes nos faz necessário para haver uma ruptura com as ilusões que nos cercam. Os mestres zen sabem muito bem disso entoando um coan (que são perguntas e atitudes, que muitas vezes, são violentas), para o discipulo acordar do seu sono (digamos assim) das ilusões que a vida nos leva. Pré-conceito é um conceito pré estabelecido das imagens coletivas de uma sociedade, ou seja, são imagens que fazemos de uma etnia ou de uma pessoa, que são generalizações de estereótipos que fazemos com inúmeras propagandas ou escritos, sobre determinado assunto. Dizem que nós não podemos nos mexer em geral, no entanto é uma imagem pré estabelecida de apenas alguns (que são acometidos de tetraplegia e distrofia muscular entre outras), que passam essa imagem. Minha deficiência é paralisia cerebral (falta de oxigênação no cérebro na hora do parto, ou em alguns casos, por minigite que não é meu caso e da grande maioria, que por falta de pediatra na hora do parto, costuma-se nascer assim), em grande parte se mexem, sentem as pernas e até tem desejos sexuais (sim PC tem tesão!).

Acho que cometi o pecado de falar de sexualidade, mas sexualidade envolve todo e qualquer ser humano que vive. Mas volto depois, por hora quero entrar em outra questão. O que não concordo com a Mara e outros do segmento que defendem a “inclusão social, é que para mim ter uma condição melhor dentro da vida que levamos, é necessário me incluir na idéia de PERFEIÇÃO que a maioria acredita. Onde e por que eu faria isso? Daí vamos cair num conceito falso e pré-estabelecido de alguns que nos vendem tal idéia, que é só a falsa, porque a verdadeira INCLUSÃO é muito mais profunda do que isso. Ouso até afirmar que essa idéia que tentam pôr em minha cabeça é apenas um MITO, criaram um MITO para justificar as milhões de reinvidicações que as pessoas com deficiência fazem diariamente. Uma coisa eu concordo com a vereadora, temos umas das melhores legislações do mundo, mas não cumprimos rigorosamente. Aliás, temos o hábito de não cumprir as leis sempre pondo em questão, o “jeitinho” brasileiro de ser. Em NENHUM lugar do mundo uma emenda da ONU é lei como é no Brasil, então não é por falta de leis e sim, por falta de CARATER mesmo.

Estou estudando a questão a fundo para não ser injusto, tanto que comprei um livro “Os Deficientes e Seus Pais” do Dr Leo Buscaglia que é professor da Universidade no Sul da Califórnia nos EUA e especializado em educação especial. Ele mostra um fato interessantissimo que o problema começa lá no médico, sim leitor, aquele cara que dá a vida para você ter a vida, quando nasce uma pessoa com deficiência, ele olha com cara de “bunda” e dá a noticia como se a desgraça caisse no colo daquela mãe. Não precisa nem nascer assim, se sofrer um acidente e você não morrer e ficou “chumbado”, morreu a esperança de ter uma vida digna. Ora, se nos Estados Unidos é assim, imagine um país do terceiro mundo que há além de casos de regeição ao imperfeito, também a maioria da população, não está preparada nem para ter filhos sem deficiência, quem dirá, com deficiência. Não é só conceito estereotipados, somos partes de um bem maior, mas a sociedade ainda insiste em nos colocar nas imagens que passam em novelas e seriados. Não podemos ser essa sociedade, não podemos (acho eu) ter esse tipo de pensamento e preconceitos, porque somos atacados e regeitados por causa deles. Tudo o que nos causam danos, teve uma causa, começa lá no médico e termina na sociedade; porque as pessoas tem idéias construidas em torno do que elas veêm, na midia, e o que elas ouvem falar.

Não podemos muita coisa porque essa mesma sociedade cobra, não faz nada por ela mesma e não segue sua conduta moral (cristianismo), porque assim que suas mentes foram condicionadas e por vezes, criando recalques, mas cobram que a familia tem que ser a melhor possivel, tem que ser todos perfeitos, indo nas festas e se comportando bem (lógico o que a sociedade “acha” ser etiqueta). Esta não faz por ai não, pois jogam lixo na rua, jogam entulho nas praças, que dão enchentes (coisa que a imprensa não diz) e ainda querem que nós façamos e somos perfeitos, que façamos o que eles dizer ser “certo” criando muitos recalques que no ano passado, a imagem desse moralismo demagogo, foi os alunos na UNIBAN que deveriam dar o exemplo. Mas como vimos no caso dos médicos que tem esses mesmos preconceitos, o aluno universitário não perde esses preconceitos sociais, por causa da insuficiência e a conduta errada do ensino aqui no Brasil. Então a “inclusão social” é um MITO que criaram para mascarar esse mesmo SIMBOLISMO de igualdade que é uma mera ilusão, essa mesma ilusão é criada na imagem passada por vários veiculos e culturalmente, já que somos herdeiros da cultura greco-romana, enraizada.

Se a cultura greco-romana cultua a beleza e herdamos isso, o moralismo fica por conta da cultura judaico-cristã, que cultua o controle e não dizer ou fazer aulas e mencionar a sexualidade. Segundo algumas vertentes cristãs, principalmente a católica, a sexualidade serve para o único fim a procriação. Os imperfeitos eram (ainda é?) vistos como não contendo alma, vendo nós deficientes, como algo que contêm o caos dentro de nós, assim sendo, um corpo harmonioso é o perfeito. Hoje isso não é tão exposto por causa que seria caracterizado como preconceito e também, com o advento do nazismo, isso ficou meio levado como uma regeição ao mais fraco e imperfeito criando uma sociedade perfeita (que vimos em Esparta e na maioria dos Estados gregos). Estamos vivendo um Estado cristão-espartano? São perguntas que as vezes, choca, mas são necessárias para uma reflexão mais aprofundada. Os deficientes não tem sexualidade, não podem ter sexo e não devem ter a imagem de seres sensuais, isso é regra dizer, não tem jeito. Quando tocamos no assuinto namoro, lógico, que tocamos na sexualidade e isso é um TABU imenso e não só por questões religiosas, é uma questão da imagem que a pessoa com deficiencia é passada, como eternas crianças. Não estou exagerando, pois vivo isso, sei disso e não escondo pra ninguém que o deficiente tem sim uma sexualidade.

Portanto, a Mara Gabrilli está de parabéns o exemplo de superação e garra por tudo que passou e deu a volta por cima, mas ela e outros erram em afirmar só uma parte disso tudo, uma parte muito pequena de algo muito maior e profundo que não envolve só nós, mas a maioria que vive ainda em uma misera ilusão muito parecida com o filme Matrix. Muitos poucos sabem, isso é descrito nas religiões hindu, que tudo que vimos são conceitos feitos por outros que querem nos manipular e a idéia dessa inclusão, é uma manipulação porque o erro é na raiz do poder vigente, tudo é ilusão e a verdade é que todos nós somos iguais e humanos. Eles podem ter uma sexualidade resolvida, ter uma vida social plena, um trabalho digno, mas são apenas uma minima minoria de pessoas que tem influência no meio. A grande maioria ainda é oprimida, não só na questão socio-familiar, mas na questão de suas duvidas, medos, vontades e desejos que não realizam. Peço a vereadora, descer um pouco e olhar os pobres mortais.

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