Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 29 de janeiro de 2010

Povo bonzinho da UFRJ

Vou deixar o pessoal da UFRJ falar depois comento:

Caros,

Estamos enviando esta carta com o intuito de solicitar vosso auxílio numa pesquisa acerca da acessibilidade de pessoas com necessidades especiais a eventos esportivos, em particular envolvendo jogos de futebol. Por meio de um questionário, o qual se encontra em anexo, visamos diagnosticar as principais dificuldades encontradas por essas pessoas no tocante à locomoção e acomodação, no deslocamento e dentro do local onde se realiza o evento esportivo.

Desde já agradecemos a sua participação, e nos colocamos à disposição para qualquer esclarecimento adicional sobre este estudo.”

Tal pesquisa é desenvolvida pelo Programa de Engenharia dos Transportes (PET-COPPE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e conta com o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e da FAPERJ.

A partir da sistematização e análise dos principais problemas relativos à acessibilidade das pessoas com necessidades especiais, pode-se contribuir para realização de propostas para melhorias nesta questão.

Por fim, para alcançar os objetivos pretendidos, é essencial contar com a colaboração e o seu apoio no preenchimento do questionário em anexo. Gostaríamos de destacar que será mantido o sigilo das informações a nós fornecidas, e os resultados alcançados serão disponibilizados para futuras consultas.

Em breve submeteremos uma nova consulta sobre este tema, mas vinculado ao acesso aos shoppings centers.

Bom, podemos começar dizendo que nem leram as regras do grupo CIADEF de não poder mandar anexo, depois vem dizer que QUEREM fazer um projeto para adaptar as inumeras arenas de “pão e circo” que existe no nosso país para agradar o povo. Como vamos a essas arenas? Lógicamente, para ter acesso a esse determinado showzinho, temos que ter transporte e ai depois podemos assistir uma partida de futebol.

Estou aqui refletindo como o pessoal é “bonzinho” e ainda com financiamento de tal importante orgão ficam muito mais. Mérito a esse tipo de coisa não dou, não tem jeito, não há nada a se fazer nesse aspecto de achar que eu – Amauri – devo somente assistir uma partida de futebo, ficar feliz e ainda pedir um autografo dos jogadores…ora, isso é coisa de fã clube de novelinha de adolescente! Mas isso é bem feito para as pessoas com deficiencia que insistem em aceitar “esmolas”, pois qualquer lugarzinho que possamos ir, para as pessoas está muito bom, mas não é assim. Se queremos respeito e aceitação, temos que primeiro, afirmar nossas vontades e nessas vontades sermos aceitos perante a sociedade. Não é incluir, é aceitar nossa condição e vontade.

Por que TENHO que me incluir numa sociedade que eu não concordo? Por que tenho que ser o que não sou para agradar aqueles que me regeitam? São questões que o deficiente tem que fazer para si mesmo e olhar a sua volta, olhar a vida que leva e dizer se aquilo tudo vale a pena. Não podemos muitas coisas por causa de nossas atitudes, não por causa muitas vezes, de nossas deficiências e sim o que fazemos delas. Isso que vimos nessa carta, muitas vezes, são reflexos de nossas atitudes perante o segmento. Quem vai colaborar para uma coisa dessas sem antes refletir o “porque” de tudo isso sem ao menos se indignar?

Não tenho nada contra o futebol em si – cada um perde seu tempo como quiser – mas há muito mais prioridades para alegarmos que isso é importante ou não e isso não vai incluir o deficiente dentro da sociedade. A inclusão não está num lado externo, mas no lado interno de cada um em se aceitar como se é e se isso não for entendido, milhares de rampas podem ser construidas e nada vai adiantar. Por outro lado, podemos ver que não podemos ir em nenhum teatro, nenhum cinema, nenhum outro lugar além daquilo que INTERESSA que nós vamos.

Quando em inúmeras vezes digo que o Zezinho da Esquina todo cagado e mijado está largado dentro de sua casa, não estou brincando não, estou falando sério. Não adianta montar acessibilidades enormes e bonitas se um médico com cara de “bunda” dá a terrivel noticia que a mãe – que por razões sociais espera um filho “perfeito” – teve um filho deficiente e esse filho vai depender dela por toda vida. Isso é um crime! Tinha que se avaliar essas escolas de medicina e se fechar essas universidades, não prestam para tirar do médico os preconceitos sociais, então tratar de doentes jamais.

Vou terminar com um final de um e-mail que respondi num desses grupos de deficientes:

O Confronto só vai acontecer quando pararmos de ver novela, parar de idealizar Lucianas da vida, ou sonhar com uma Avenida Paulista mais adaptada como quer a Mara Gabrilli e fazer algo o que falei acima. É escrever pro ministro da saude enquanto movimento e cobrar dele uma atitude, é escrever para o politico que você votou e cobrar uma posição dele enquanto isso. Só vejo ações assim, quando os PARAPLÉGICOS tem que pagar IPVA, ou quando os PARAPLÉGICOS não tem financiamentos para ir na paraolimpiadas. TODOS nós SOMOS deficientes, andamos numa cadeira de rodas, andamos de muletas, com bengalas, e as vezes, DEPENDEMOS dos outros para algumas tarefas, mas a INCLUSÃO é para TODOS e não para alguns “bonitinhos” do segmento. “

Preciso dizer mais alguma coisa?

Se tiver perguntas sobre o texto ou outras acesse >http://www.formspring.me/Amaurinolascosj

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: