Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 26 de novembro de 2009

O QUE APRENDI NO SEGMENTO

Hoje eu acordei de bom humor e calmo, abri meu facebook e resolvi testar aquele aplicativo para ver minha vida passada e deu que fui um filosofo grego, ai fiquei feliz pra caramba (risos). Mesmo gostando muito de filosofia, principalmente os clássicos gregos como a trina Sócrates, Platão e Aristóteles, sei que se tivesse nascido naqueles tempos teria sido morto pela minha deficiência física (até onde isso é verdadeiro não sei, não sei se por minha família ser classe media baixa isso iria acontecer). Na verdade gostei da definição, mesmo sabendo igual mestre Sócrates (não o jogador bêbado medico que virou espírita ficou santo), que nada sei, estou em constante aprendizado e sempre humildemente estou aprendendo.

O que aprendi dentro do segmento foi que estamos aprendendo sempre, essa cadeira de rodas onde estou sentado é minha mais bela professora e não só ela, o preconceito e a negação de sermos humanos nos fazem mais humanos ainda. Vendo o blog da colega Fabiana, Experiências de Fabiana, lendo seus textos simples e ao mesmo tempo sinceros, estou vendo outra maneira de escrever. No meu texto sobre minha decisão de ir à festa de aniversario de minha futura cunhada, falo da minha experiência mística da escolha, minha experiência de ir além do que vou; a quebra do medo e surgimento da cautela, os inúmeros processos para eu ser o Senhor do Fogo e saber olhar além dessa realidade aparente. Nossa experiência mística não é ir na missa todo dia de manhã (no caso dos protestantes, ir ao culto toda as noites), é para mim encontrar nosso lado místico das escolhas que temos que fazer, olhar para si e descobrir que só vamos encontrar Deus, se encontrarmos a nós mesmos.

E o que podemos fazer para encontrar a nós mesmos? Aceitar nossas limitações e ficar de “bem” consigo mesmo, pois o “reino dos “céus” cristão é somente isso, tem a consciência que temos nossas limitações. Não quero aqui fazer nostalgia de coisas que já passaram, coisas que me trouxeram para a vida, viver é muito mais do que conviver com os outros seres humanos, viver é um encontro de si e um aprendizado de espírito que temos que passar. Tive também experiências boas dentro da AACD, onde aprendi minhas primeiras letras, a ter condições de sentar e de ter um pouco de equilíbrio, mas teve coisas ruins como operações desnecessárias e erradas, sonhos e amizades interrompidas por regras que nada tem a ver com a inclusão; esse texto não é para falar de inclusão, fica uma coisa muito comum, muito embasada no dia a dia de pessoas que ainda não se encontraram e não aprenderam a se juntar com sua cadeira de rodas, muletas ou aparelhos, ter dentro de si que são extensões de nosso corpo, extensões de nossa alma. Ser deficiente físico é olhar para as pessoas de baixo para cima, ter a humildade de poder com um sorriso pedir algo a alguém, sem medo, sem ilusões e preparados para qualquer resposta.

Aprendi dentro do segmento que o ser humano é marcado por fatos, não são marcados por coisas, fatos que passam dentro da vida que fazem a diferença. Aprendi que não é por ser um deficiente físico, não posso ter desejo, não posso fazer uma vida digna de ser vivida, olhar a vida como ela é. Porque não somos de cristal, não somos seres que morreremos se ser virarmos, não vamos nos perder porque não quisermos seguir uma religião, não vamos “sarar” para sermos aceitos, somos o que somos e não fará diferença se nos olharmos intimamente e encontrarmos potencialidade para quebrarmos barreiras. Mas esse texto é muito mais sobre inclusão, é muito mais sobre rampas e transportes adaptados, é sobre o que fazer para adaptar e mesclar essas filosofias e teorias com nosso segmento é para dizer os inúmeros aprendizados que tive na historia de minha vida dentro dos movimentos.

Eu entrei no segmento em 1992 quando ingressei no movimento FCD (Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência), onde com apenas 16 anos, entrei num outro mundo que não tinha vivido. Aqueles mesmos deficientes que ficavam sorrindo para as voluntarias da AACD, na verdade bem esculachada, eram verdadeiros marginalizados pelas mesmas “tias” que nos cuidavam. Não posso deixar de dizer que o maior culpado disso tudo é o próprio deficiente, que não luta para mudar sua realidade enquanto recebe tudo de “mão beijada” o que a família nos dá e não vai atrás daquilo que tanto quer. Claro que demorei muito para entender que muitas vezes fazemos guerra com nossos próprios companheiros, que mesmo tendo um numero considerado de deficientes dentro do movimento, nenhum entende que devemos ter união. Mas é um assunto que voltarei mais tarde, onde relatarei mais coisas. No momento tenho que dizer que demorei muito para me encontrar, demorei muito para saber que aquele monte de deficiente tinha muito a ensinar e eu a aprender com isso.

Na verdade, não houve nenhum fracasso ou perda que não trouxe em minha vida, algo que não fizesse aprender. Mas tudo começou no movimento e dentro da Oficina Abrigada de Trabalho que ficava na unidade da Mooca da AACD, onde eram jogados (sem exageros), deficientes que a entidade classificava como sem condições de aprendizado. A Associação além de ter um Marketing ruim, que na minha visão de publicitário formado é péssimo, tem uma pedagogia arcaica, paternalista ao cubo, e não tenho como falar que essa pedagogia não existe como tal, é apenas uma tentativa de “abocanhar” pacientes e falar que eles são os melhores da America- latina, mas tenho minhas duvidas no qual os critérios que fizeram essa associação ser eleita. Tudo nos leva ao “bem” ocidental que temos que olhar o próximo e cuidar dessas crianças “defeituosas” que tiveram azar de nascer assim, nos enxergam como “coitadinhos” e nunca como seres humanos capazes de mudar a realidade. Ai que o “bicho” pega, o que será a realidade a não ser aquela que somos condicionados a acreditar? Não somos levados a ver a verdade e sim, a verdade aparente. Naquele tempo isso para mim era realidade, era destinado a trabalhar muito em serviços que nada me agregavam meu pai pagando para nós temos que trabalhar e nada sabia que tinha um mundo lá fora, ainda estava no mundo de Matrix. A caverna platônica estava na minha frente, nos mostravam sombras e acreditávamos que aquilo era verdade, que aquilo era o único destino que tínhamos pela frente.

Minha caverna de Platão durou até minha grande desilusão amorosa que foi muito traumatizante, tanto, que me senti inseguro por muito tempo para ter uma relação e mais uma vez me mostrou a falta de amadurecimento das pessoas com deficiência. Mas sabe de uma coisa? As desilusões são boas para temos acesso ao que as pessoas são e não o que idealizamos que elas deveriam ser para suprir as nossas necessidades, ou seja, as desilusões são fatos que não suprem o que realmente queremos. Mas graças a isso se teve meu “Big Bang” intelectual (digamos assim), porque comecei a me interessar da onde vim, da onde veio minha duas famílias; graças ao filme Coração Valente me despertar para algo como “onde” e o “porque” da Idade Média, o que veio antes e o que veio depois. O mundo despertou em minha frente como se tivesse saído mesmo de uma caverna, saído da escuridão de ilusões que a cultura ocidental nos mostra e nos põem. De Paulo Coelho até J.R.R. Tolkien (onde li o Senhor dos Anéis em duas semanas e detalhe, os três livros). Podemos até pegar a analogia do livro Senhor dos Anéis, e por tudo isso como o anel que temos se temos coisas boas no coração, ele desperta em nós essas coisas boas, se temos algo ruim, desperta essa coisa ruim; também se trata de ver as coisas como a natureza de cada coisa.

Aconteceu que Sócrates foi parar em minhas mãos, meu pai comprou essa coleção para deixar para meus irmãos estudarem na faculdade, mas a coleção acabou sendo minha e as devidas faculdades de meus irmãos não pediram esse tipo de leitura. Vocês acham que faculdades no Brasil pedem para os alunos lerem filosofia? Nem para saber quem são ou o que fizeram, dão o básico e olhe lá. Ler filosofia é uma arte de entrar no Logos (razão) universal, graças a ela, aprendi a equilibrar e amadurecer minhas idéias dentro da minha sensibilidade e minha razão. Hoje sou um cara resolvido, mas antes do meu “Big Bang” não era e para ser sincero, não era a pouco tempo atrás. Como percebi nos últimos tempos, eu era uma “Amélia” versão masculina porque queria me sentir amado, pois era um engano terrível e foi a pior coisa que poderia ter sido na minha vida. a melhor é ter chegado na filosofia e em outro mundo que desconhecia, a “Amélia” versão masculina morreu e no lugar vive um carinha que assumiu o jogo e começou a se cuidar; depois que li muitos autores bons, minhas idéias começaram a “ferver”.

Muito porem não concorde com muitos, eles abriram minha cabeça para uma coisa: ter idéias minhas e idealize comigo; todos que pensam pensar por si mesmos sempre nunca pensaram por si mesmos, sempre trataram as coisas como normal. Um ser humano que gosta de onze homens correndo atrás de uma bola é “normal”? Isso é divertimento e alienação da massa, nada menos e nada mais, pois quem paga mais é campeão. Quantas copas o Brasil com um grande time perdeu? Comecei a não torcer mais para o Brasil depois da copa de 1986 onde entregaram o jogo, vi que é tudo arranjado, vi que o mundo é feito de perdedores que se vendem por mixarias. Eles são felizes por ter feito isso? Claro que não, tanto que alguns foram jogar e ser treinadores muito longe daqui por não suportar a consciência latejando. Outra coisa que me jogou longe desse tipo de coisa foi a morte do Ayrton Senna, daí nunca mais na F1 o Brasil não foi campeão e o esquema sempre correu bem; ai me veio na mente: era mesmo para a barra de direção quebrar? Não sei. Só sei que não assisto mais nada que me faça de trouxa.

Politicamente sou um sujeito critico e cético, não acredito das “boas” intenções de nenhum político e de nenhuma ideologia política. Por quê? Porque todas as boas ações desse pessoal têm algo por trás, nas vans adaptadas paulistas claro que tem esquema, como tem nos ônibus adaptados; um serviço muito caro e muito pouco bem servido, onde as adaptações são erradas e pouco eficazes. Mas por que isso? Porque eles fazem teste com pessoas que não precisam, pessoas que no seu intimo estão pouco ligando para esse tipo de situação em questão, eles tem carro e não precisam; a diretoria dos transportes daqui sabe e é esperta, pois ouvem o que querem ouvir. Na política sou a favor de pegar pesado, ser duro e fazer cumprir as leis e isso são obrigação do cidadão cobrar e tudo isso é culpa da massa. Quem elege os governantes? O cara do bar não trabalha no governo para o povo reclamar para ele. Estamos ou não estamos numa democracia? A indecência popular é engraçada ao extremo de eleger cidadãos e depois reclamar culpando eles, mas estamos numa democracia e ninguém lhe obriga a votar em ninguém. Então, num resumo bem declarado e sincero, não existe nada de esquerda ou direita e sim interesses. Olha os governos de esquerda que estão fazendo iguaiszinhos os da direita. O mais engraçado de todos foi o Obama. Por que será? (risos)

Na verdade muitas coisas são feitas para dominar a mente do povo e ele – por ser ingênuo e alienado – acredita em tudo que possa nos dar autonomia mais fácil. As religiões são provas cabais do que estou falando, ninguém no mundo vai numa religião – pelo menos as cristãs que são o platonismo para o povo – sem ao menos com o intuito de pedir alguma coisa para o criador. Caro leitor, para analisarmos as varias facetas da inclusão e seu hino hipócrita de igualdade não poderia ser analisado fora do cristianismo que nada mais é do que um pequeno, ou mínimo, dos ensinamentos de Jesus que foi o único cristão da Terra. Poderia afirmar que todas as religiões são derivadas dos egípcios, são derivações dos herméticos, pelo menos vimos no cristianismo e no judaísmo mosaico. Não houve nada de diferente do que aconteceu no antigo Egito, onde a civilização ocidental começou culturalmente, mas deve ser outra coisa que pode ser que tratarei em outro texto. Por hora vamos aos fatos, o ser humano é um ser que não sabe conviver com seus medos e com o diferente; tudo que é diferente é tratado com preconceito, são fantasmas que nossa mente fabrica para explicar a anomalia cultural.

Mas vocês devem esta me perguntando: o que seria uma anomalia cultural?u uma bíblia). Tudo que o povo não reconhece como normal, seria uma anomalia dentro da cultura que ele está acostumado; muitos universitários não vêem o curso como uma extensão daquilo que vai ter pela vida afora, então passam só a estudar aquilo sem ler e pesquisar além daquilo e tudo que foge disso é uma anomalia cultural. O CDF é uma anomalia, o deficiente é uma anomalia cultural do meio estético perfeito, o negro é uma anomalia cultural onde por vários séculos, predominou a cultura de pele branca; até mesmo a democracia legítima (não essa copia barata representativa que nada tem a ver com a grega), é uma anomalia cultural até mesmo biológica.

Tudo isso trabalha a culpa, a culpa de termos pecado, a culpa de sermos passivos políticos e a culpa que não somos bons no esporte. Não acredito na inclusão pelo esporte, não acredito na inclusão na religião, não acredito na política da inclusão; sou um cético que não vê resoluções bonitinhas que possam resolver isso, ou redenções dentro da religião que possam nos curar. Não há cura sem mudarmos a nós e isso não tem e não existe contestação, tudo é feito para sermos dominados, tudo é feito como se fossemos culpados de tudo, para nos enfraquecer.

Daí começa a entrar nos movimentos que dizem lutar pela inclusão das pessoas com deficiência. Uns são presos em conceitos religiosos e outros são presos em conceitos ideológicos políticos, tanto a religião, quanto o socialismo é uma maneira niilista passiva de ver o modo social, de não acreditar em nada e não fazer nada para mudar essa realidade. Os que agem com seriedade são aqueles que não estão presos em nada disso e sim, presos na causa da inclusão das pessoas deficientes, não tem o “rabo” preso em nenhuma religião e não tem nenhum “rabo” preso em ideologias políticas. E ao longo de minha vida, nos muitos sofrimentos e alegrias que eu tive, nada me fez desprezar tanto a moral ocidental do que o conceito que tenho que ter uma posição religiosa, uma posição política, uma posição futebolística e por ai vai. Não há verdades absolutas, mudamos a cada dia, não há fatos eternos, porque nenhum fato dura para sempre. E neste contexto que nego, com veemência, o conceito que fazemos dentro da inclusão que todo o povo nos põe como “coitadinhos” ou como inúteis.

A maioria dos deficientes não podem nada porque se limitaram a não serem nada, se contentam em ir em escolas que nada agregam em suas vidas e acham que esse mundinho é o verdadeiro. Como idealizou Platão em sua Caverna, são seres humanos acorrentados virados em uma parede onde há uma fogueira que humanos produzem sombras onde esses acorrentados ficam vendo e ficam deslumbrados pensando ser a verdade; um deles escapa dessas correntes e corre até a entrada dessa caverna e após acostumar com a luz do sol, viu outro mundo e quis soltar os outros, quis que todos vissem que aquele mundo das sombras era mentira. Talvez esse homem é aquele que não acredita aquilo que chamamos de “sombras” que seria as ideologias e a religião, porque tudo aquilo é uma “mentira” para dominar o ser humano. Na verdade o deficiente é um niilista passivo, ou seja, ele não acredita em nada e não faz nada para mudar essa realidade. O niilista ativo é aquele que não acredita em nada e temos a coragem de mudar, podemos até ver o mundo como ele é, mas não aceitar ele passivamente como se fosse o fato incontestável.

Posso dizer que os movimentos morreram, porque não se tem mais aquela força de luta como tinham anos atrás, não tem aquela força que tínhamos quando ao auge da luta, íamos reivindicar as coisas para uma inclusão. A tragédia é tanta que nos negamos a fazer as coisas pelos medos de pessoas serem violentas, de ignorância pelas leis, pela amarras sentimentais e religiosas. Quando fui a Brasília no 1º Congresso sobre os jovens, vi que temos força sim, só querer e demonstrar interesse de mudar as coisas em sua volta. Mas quando fui coordenador em uns dos núcleos da Fraternidade Cristã das Pessoas com Deficiência, vi que as pessoas não querem seguir coisas boas e sim coisas ruins, porque as pessoas são pessoas e não assumem o fraco delas e não fazem por merecer. Então, morreu porque não tem força para assumi o que tem que fazer, assumiu só as ideologias políticas e as religiões que nada podem fazer para nos ajudar e sim, mudarmos internamente. Mentiras contadas para nos seduzir, mentiras contadas para comandar a massa que é manobrável e ignorante até de seu próprio “eu”. A verdade sempre estará no nosso próprio espírito e não em ideologias mentirosas e manipuladoras. Esses movimentos não fecham ou pelo menos não pressionam a fechar essas escolas especiais que são depósitos de pessoas com deficiência, como aqui em São Paulo temos a Estação Especial da Lapa onde deficientes físicos são tratados como deficientes mentais e o Cantinho da Esperança que nada faz a não ser dar uma atividade ao deficiente parado. Onde está os movimentos nessas horas? Com toda certeza ou rezando para Deus (das religiões católicas/protestante), ou no bar bebendo igual um porco para se sentir uma Alice no país das maravilhas; mas as “Alice´s” não estão no país das maravilhas.

Como o nome de uma banda de minha adolescência, Alice in Chains, as Alices estão acorrentadas em um mundo que não é verdadeiro. É certo que o mundo não pode ser levado a “Ferro e fogo”, mas achar que tudo são flores não é uma maneira de encarar o mundo como ele é. O que é a verdade? O que é a mentira? Não sei e não vou ensinar lideranças de tanto tempo como agir, mas um movimento tem que lutar para “Zé” da esquina que é acorrentado e fica todo cagado num quartinho nos fundos e não ir confabular com os petistas ou esquerdistas (que são muito mais religiosos dos que os religiosos), a fazer uma inclusão que não existe. Todo esquerdista e toda a esquerda é “burra”, são muito mais alienados do que os que defendem o capitalismo, que a meu ver, só muda a mosca. Lógico que sou esquerdista, lógico que sou extremista e defendo uma inclusão efetiva e única sem acordos ou conchavos, como a esquerda brasileira sempre faz. Será que eles sabem que o Comunismo soviético matou milhares de pessoas com deficiência por não poderem trabalhar? Mataram as chamadas “raças” que não poderiam progredir? Não acredito que o ser humano se aliena tanto como as pessoas com deficiência que luta, ou dizem lutar, nesses movimentos que são copias paraguaias dos partidos da esquadra vermelha (o poder partidário e militar soviético), saiba ao menos o que é comunismo e socialismo. Se quer ser socialista, tenha a dignidade de ler Karl Marx e aprenda a nata da coisa, não siga os que os “outros” dizem senão virara fantoche do mentecaptos da esquerda brasileira. Só lamento a morte de todos esses conceitos, só peço que enterrem o “defunto” porque ele esta fedendo.

Outra coisa, quando fui coordenador desse núcleo me deparei com o meio podre do ser humano, o ser que tem alguma deficiência também tem preconceitos, também tem inveja, são o pior da raça humana. Ficam orando e ao invés de agradecer a vida que vivem, ficam pedindo e ficam usando isso como ‘muletas’ de apoio para ter alguma esperança. O que é esperança? Isso vou deixar o Arquiteto da Matrix responder: “Esperança. É a ilusão humana quintessencial… Simultaneamente a fonte de sua maior força e de sua maior fraqueza.” Captaram? Então não vai ter nada que nos salvara daquilo que nossos antepassados construíram, nós podemos mudar para pior ou para melhor, mas é uma escolha nossa. Simultaneamente usamos a esperança para termos força, mas ela ao mesmo tempo não nos deixa ver a realidade, não nos deixa ver que tudo que acontece conosco é derivado daquilo que escolhemos, o problema são nossas escolhas. O que escolhemos? Vamos acreditar em nossa própria força ou botar ela em religiões ou meios ideológicos inúteis?

Insisto que a inclusão é algo muito abrangente, não é construir somente rampas, não é fazer acessos para o deficiente atravessar a rua somente, não é fazer transporte adaptado (diga de passagem, muito mal adaptado); é captar a essência da coisa, é captar o que a palavra significa para uma vida digna para as pessoas com deficiência. Quantas pessoas com deficiência são trancadas, são acorrentadas, são levadas a morte pelo preconceito familiar? Onde estava os movimentos que não denunciam esse tipo de coisa? Tomando cerveja e comemorando aniversario de núcleos falidos, idealizando e ‘brincando’ de política nos inúmeros congressos que temos por ai. Ainda vejo o Zé da esquina todo cagado e morrendo de inanição e nenhum movimento vai lá ajudar, por que o pai dele é violento? Por isso que concordo com Max Weber, quando pensamos em países que tiveram a educação protestante (não esse protestantismo brasileiro piegas que mais é uma derivação do catolicismo, que alias, toda religião parece), tem um viés mais duro, mais decisivo em cumprir as leis e a serem cidadãos. Não vimos que os alemães, os norte- americanos, os suíços, os dinamarqueses e etc, são mais rigorosos em questões sociais? Lá, para temos uma idéia, não tem calçadas personalizadas como aqui (que cada um faz de um jeito), é um padrão que facilite para o cidadão trafegar. Mas ai lhe pergunto: é o governo que faz ou é o cidadão que exige?

O que aprendi no segmento foi que os inúmeros movimentos são “muros” de lamentações, são baladas disfarçadas, são consolos para mergulharem sua pequenez de uma educação medievo (que vimos no episodio da universidade dos moldes teológicas católicas), a liberdade mentirosa de uma vida medíocre. Aprendi que a virtude, como bem ressaltou Kant, vem do colo da mãe e, portanto, tudo que aprendemos ao longo de nossas vidas é aquilo que nossos pais passaram nos primeiros anos de vida, é o exemplo deles que vamos seguir. Se eles são ignorantes ou não estudaram o problema não é nosso, o que quero dizer é: o mundo é feito de escolhas, escolhas essas que podemos ou não acatar de nossos pais, podemos ou não fazer igual eles e fazermos dramas intermináveis ou fazemos a diferença, vamos lutar para evoluir e melhorar a sociedade.

Vamos imaginar um fósforo que se acende sozinho. Se ele só acender, só vai queimar e se apagar sem que a chama se propague; mas se acendermos um fósforo e pusermos dentro de uma caixinha acendera os outros e ficara uma chama maior. A chama é nossas idéias e o fósforo é o cidadão, se cada cidadão só ter a idéia e não passar para frente , não vai aumentar a chama e ela vai se apagar. Não deveria acontecer isso dentro dos movimentos? Não acontece porque a formação é errada, não se pode querer a quantidade e sim a qualidade, não se podem querer mil pessoas e não pensar nada e sim ter meia dúzia e pensar.

Acho que como Machado de Assis escreveu no conto O Espelho, temos duas almas que nos encontram dentro do nosso âmago, uma para ver de fora para dentro e uma para ver de dentro para fora. A solidão nada mais é do que o desencontro do nosso próprio eu, quantas pessoas não conhecem a si mesmos e se sentem assim? Todos nós somos assim de alguma maneira especifica, todos nós devemos nos conhecer e nos encontrar dentro das inúmeras facetas do mundo, ser conduzidos a idéia que somos parte de tudo isso, somos partes do pó da terra. Somos como disse um dia Carl Sagan, pó de estrelas mortas, somos parte do universo, somos parte da criação da vida e quando nos deparamos com isso, deparamos conosco e nosso Cristo interir. O sábio da Grécia antiga, Sócrates, não reafirmou o que dizia o Oráculo de Delfos? Apolo o deus sol disse para conhecermos a nós mesmos porque assim, conhecemos os deuses e o universo; só conectamos a força criadora quando conhecemos e encontramos em cada um o “deus” oculto. Os deficientes são diferentes de todo ser humano? Acredito e tenho certeza que não. Só temos certa limitação, qual ser humano não a tem? Jesus reafirmou o salmo 82 onde diz que somos “deuses”, por que duvidar?

Devemos nos rebelar contra a dominação e não conchavar com ela, não devemos nos “vender” por esmolas conceituais, não devemos nunca achar que somos iguais nos conceitos, porque devemos superar todos eles. Essa é a diferença entre um ser humano que lê a bíblia literalmente e um ser humano que lê os símbolos, o ser humano que vê algo literalmente e um que vê algo além daquilo que é mostrado tem a superação do ser. O alem-do-homem (Übermensch), são aqueles que superam as fraquezas e as ilusões humanas, são aqueles que fazem da vida um aprendizado e não vão no caminho que os outros seguem. Está difícil esse texto? Não olhe ele como uma ofensa a bandeira que defende, veja como um desafio para mostrar que estou errado…vamos! Me mostre que estou errado! Vai lá no Zé da esquina, todo cagado, morrendo de inanição e denunciam e botam portão abaixo…não basta olhar desafios políticos, não adianta ter a moral humana do senso comum, o pai do Zezinho pode até ser violento, mas ele é um e somos milhões para defende-lo. Me provam que estou errado?

Por hora é só…no outro texto minha filosofa favorita, vai expressar o que ela pensa da sociedade num texto ótimo.

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Responses

  1. Parabéns pelo texto e Realismo

    • obrigado

  2. BOA NOITE, sou def. fisico, estou necessitando de uma empresa ou profissional para construção de uma RAMPA no predio em que moro,
    grato

    Freire


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