Publicado por: Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues | 20 de outubro de 2009

a verdadeira face do teleton

Por muito tempo não tive nada a dizer no caso desse programa e a que ele é destinado e por muito tempo não tive a menor vontade de expressar nenhum comentário sobre isso tudo. Não tenho o que reclamar sobre a entidade em questão e nem seu tratamento, pois graças aos médicos dessa mesma entidade em questão. Sua administração falta com a verdade e não é certo que eles digam que tudo é gratuito que não é, tudo é classificado com a renda do atendido (ou paciente), ou seja, mesmo que se tenha um salário relativamente baixo, se a assistente social achar que pode pagar e se você não chorar, pagará contas exorbitantes.

Não é exagero meu e sim uma constatação de fatos que vivi durante vinte e três anos de minha vida (de 1983 a 2000). Aliás, só sai da entidade porque por motivos financeiros eles (os diretores humanitários), fecharam a oficina para aumentar a unidade em questão, ou seja, visão um lucro maior, sempre diziam que a oficina dava prejuízo (não é uma entidade sem fins lucrativos?). eu sempre tratei a entidade como apenas uma empresa que meu pai pagava e muito (oitenta reais), para que tivesse relativamente, na medida do possível, uma vida dentro da deficiência física confortável.

Não quero agradecer por um serviço pago e nem gosto de jogar confete em paternalismo, isso mesmo, não se pode dizer que a entidade em questão gosta que seus pacientes sejam independentes por um motivo bem simples, eles precisam desses pacientes para sustentar as inúmeras industrias da inclusão. Não tem a industria cultural, a industria da fé, a industria do holocausto e etc? O mesmo se dá com a industria da inclusão que sensibiliza muitos e sustentam milhões dentro do preconceito e da má fé, não são muito diferente quando éramos jogados abismo abaixo, que não morremos fisicamente, mas muito mais, ideologicamente. Quando as pessoas vêem aqueles rostos pedindo dinheiro, como se só há aquela possibilidade de um deficiente ter uma felicidade digna, e não há só aquela possibilidade.

Erros dentro desse porte se vê em todo o site e principalmente dentro da cartilha que tem o nome de Manual da pessoa portadora de deficiência. Primeiro vamos analisar o nome que achei estranho, porque temos manual de boas condutas, manual para montar um barquinho e até um manual de guerrilha no site dos Direitos Humanos (matar pela causa comunista é valido e justo), mas manual para ser portador de deficiência física é novo para mim. Já no termo portador já erra e um erro grave, pois se você porta algo em outro momento pode não portar e no nosso caso, é uma coisa permanente, mesmo se a entidade venda a idéia de melhora; não há meios de melhora, há um alivio dentro das possibilidades da deficiência física, como sentar e ficar em pé, mas melhorar não tem jeito de tal milagre. Em outro momento erra totalmente nas estimativas e é claro, vende seu peixe dizendo que nenhum hospital tem o equipamento para a reabilitação a não ser eles, só que eles têm os equipamentos até aos quatorze anos, quando eles nos desligam, ai os outros hospitais tem equipamento.

O fato não é eles serem ou não lideres de reabilitação, temos que reconhecer que são lideres na America Latina, mas achar que são os únicos é pretensão em demasia. Toda pretensão e vaidade um dia acaba e a mascara vai cair. Na verdade já somos tratados como eternas crianças, que não podemos amar, casar, ter uma vida como muitas pessoas tem mas inúmeras pessoas com deficiência, tem mostrado que podemos sim, que todo esse preconceito é fruto do paternalismo que impera e é muito forte; também em alguns casos, existe a vergonha e o ressentimento familiar de ter um filho com deficiência física e em algum lugar do passado houve um pecado. Isso é a cultura de nosso povo crédulo e ignorante. Ora, se já temos que enfrentar o preconceito social e o familiar (alimentado pelo conceito religioso e o da perfeição Greco- romana), ainda temos que agüentar a Industria da Inclusão.

Não é um ignorante que vem falar para vocês sobre isso, pois estive lá dentro e sei o modo paternalista e que existem regras que não deixam as pessoas com deficiência física terem uma vida independente. Não estou dizendo em abotoar a camisa, ou amarrar os sapatos, mas ter uma vida como uma pessoa comum e essa é a meta de todo centro de reabilitação tem que ter. Quando essas metas forem atingidas e quando a entidade parar com essa propaganda paternalista patética (porque não dizer desumana), ai sim a campanha do Teleton é valida e até destinada a uma boa causa, mas está longe essa realidade. Mas também o que deva ser realidade onde só vimos sombras daquilo que realmente é, o que somos levados a acreditar e não aquilo que é verdadeiro, porque não nos querem que pensamos, que percebemos.

Segundo a ONU, uma pessoa com deficiência tem o direito de ter uma vida digna e que desfrute de todos os direitos e deveres que todo mundo devem viver, porque se existe direito é claro que existe os deveres. Mas se os direitos não são respeitados e claro que não temos obrigação nenhuma de exercer os deveres, porque se fomos ver a teoria rousseauniana do contrato social, se um contrato é quebrado em alguma parte, não será possível uma linha de raciocínio que um ser social tenha que fazer seu dever se o direito que esse individuo tinha que ter, não se tem. Como posso exercer os deveres de um cidadão se tenho que me submeter a ordem social que não assegura meu direito de ir e vir e de também, ser um cidadão que posso ter uma vida como todo mundo, se isso não me é assegurado como bem vimos? Não é mais possível ter resoluções que mais sub protegem a pessoa com deficiência física do que fazem de nós, pessoas totalmente independentes e autônomas. Onde poderemos parar?

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